A mortalidade anormal de aves selvagens levou as autoridades açorianas a reforçarem a vigilância e as análises laboratoriais em todo o arquipélago. Apesar da confirmação da presença de um vírus contagioso em várias ilhas, até ao momento não foram identificados casos em aves de capoeira e o risco para a população é considerado muito reduzido. No entanto, a Direção Geral de Alimentação Veterinária (DGAV) recomendou algumas medidas de prevenção.
Vírus confirmado em quatro ilhas dos Açores
A doença de Newcastle foi confirmada laboratorialmente em aves selvagens nas ilhas de São Miguel, Terceira, Graciosa e Pico.
As espécies afetadas são o pombo-da-rocha e a rola-turca, avançou o diretor regional da Agricultura, Veterinária e Alimentação, Luís Estrela.
Segundo o artigo da agência Lusa, o responsável confirmou a informação esta terça-feira, 1 de setembro, durante uma conferência de imprensa realizada em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
Faial e Santa Maria ainda sem confirmação
O Governo Regional tinha inicialmente indicado a presença da doença em seis ilhas, mas corrigiu posteriormente a informação. De acordo com Luís Estrela, foram observados sintomas semelhantes no Faial e em Santa Maria, embora o diagnóstico ainda não tenha sido confirmado através de análises laboratoriais.
Os Açores estão a aguardar por resultados do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária. A região adquiriu também material que permitirá realizar o diagnóstico da doença de Newcastle no Laboratório Regional de Veterinária.
Não existem casos em aves de capoeira
A principal preocupação das autoridades é impedir a transmissão do vírus às explorações avícolas. Até ao momento, todas as análises efetuadas a aves de capoeira apresentaram resultados negativos.
As explorações receberam recomendações para reforçarem as medidas de proteção e muitas dispõem de acompanhamento veterinário próprio. Não foi comunicado qualquer foco da doença em instalações avícolas da região.
Autoridades registaram 17 resultados positivos
A primeira notificação formal de mortalidade anormal de aves selvagens foi recebida no início de julho. Desde então, foram realizados 134 registos em nove freguesias, incluindo análises laboratoriais e relatórios de necropsia.
Destes registos, 17 confirmaram a presença do vírus da doença de Newcastle. As autoridades estão também a pesquisar a presença de gripe aviária, mas todos os resultados conhecidos até agora foram negativos.
O estudo epidemiológico sobre a entrada do vírus no arquipélago ainda está em curso. A hipótese considerada é a chegada de uma ave selvagem infetada, tendo sido afastado, até ao momento, um eventual envenenamento como causa da mortalidade observada.
Risco para a população é muito reduzido
Luís Estrela reiterou que o risco para a população é “muito reduzido”. A infeção humana é rara e está geralmente associada ao contacto direto e sem proteção com aves infetadas ou materiais contaminados.
Quem encontrar uma ave doente ou morta não deve tocar-lhe, recolhê-la ou transportá-la. As crianças e os animais domésticos devem ser mantidos afastados, devendo a ocorrência ser comunicada ao Serviço de Desenvolvimento Agrário da respetiva ilha ou à linha SOS Ambiente, disponível durante 24 horas.
Caça ao pombo continua proibida
Os criadores devem manter a vacinação das aves atualizada, reforçar a limpeza e a desinfeção das instalações e proteger a água e os alimentos do contacto com aves selvagens. Qualquer mortalidade anormal acompanhada por sinais respiratórios, digestivos ou neurológicos deve ser comunicada aos serviços veterinários oficiais.
A caça ao pombo-da-rocha está proibida em todas as ilhas dos Açores desde 13 de agosto. A realização de feiras, mercados e exposições que envolvam aves depende de autorização prévia da Direção Regional da Agricultura, Veterinária e Alimentação.
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