Durante os meses mais quentes, aumentam as saídas ao ar livre e, com elas, cresce também a preocupação com certos parasitas que podem representar riscos sérios para a saúde. Um desses casos está agora a gerar alertas vindos de especialistas espanhóis, que chamam a atenção para os perigos provenientes deste parasita que se encontra muito presente em Portugal.
Alerta vindo de Espanha
Em Espanha existem cerca de quarenta espécies de carraças, mas cinco são apontadas como particularmente preocupantes por poderem transmitir agentes patogénicos perigosos não só aos animais, mas também aos humanos. A primavera e o verão são consideradas épocas críticas, marcadas por uma atividade intensa deste parasita que se alimenta de sangue.
A subida das temperaturas e os invernos mais amenos têm levado a que a sua presença se antecipe no calendário, prolongando-se por mais meses do ano, de acordo com o El País. Além disso, a mudança no uso dos solos e o aumento de espécies silvestres têm favorecido a disseminação do parasita para novas zonas.
Expansão geográfica
Segundo o especialista Agustín Estrada-Peña, assessor do Ministerio de Sanidad, há regiões onde anteriormente não existia registo de carraças e onde agora a sua presença é evidente. A progressão para norte tem sido clara, chegando a zonas da Escandinávia onde antes não se viam.
A prevenção continua a ser o melhor método para lidar com este tipo de ameaça. A falta de informação e a propagação de ideias erradas agravam os riscos e dificultam a resposta eficaz perante uma picada, conforme aponta a mesma fonte.
O que fazer em caso de picada
A recomendação principal é remover a carraça o mais rapidamente possível, utilizando uma pinça ou um pano limpo, sem torcer ou esmagar o corpo do inseto. Deve-se agarrar o mais próximo da pele e puxar de forma firme e perpendicular, segundo informa a fonte anteriormente mencionada.
Técnicas tradicionais como aplicar álcool, óleo ou calor não são recomendadas, pois aumentam o risco de infeção ao forçar a libertação de patógenos. Caso surjam dúvidas, é sempre aconselhável procurar apoio num centro de saúde.
Após a remoção, é prudente guardar o inseto num frasco por quatro semanas. Esta prática pode ajudar no diagnóstico caso surjam complicações.
Riscos associados
As carraças variam entre um milímetro e mais de um centímetro e, por vezes, são confundidas com sinais na pele. Se o aparente ‘sinal’ tiver patas ou se mover, trata-se de uma carraça.
A sua presença não se limita aos humanos. Animais de estimação também podem ser afetados e devem ser observados com atenção semelhante. A higiene e a verificação regular são medidas básicas de proteção.
Doenças que podem transmitir
Nem todas as carraças transmitem doenças, mas algumas espécies são conhecidas por serem portadoras de agentes infeciosos. A carraça Hyalomma marginatum, por exemplo, está associada à febre hemorrágica da Crimeia do Congo, que tem causado mortes em Espanha, conforme refere a mesma fonte.
Outra espécie, a Ixodes ricinus, é conhecida por transmitir a borreliose de Lyme. Outras doenças relatadas incluem a febre botonosa e a síndrome Debonel, ambas provocadas por bactérias do género Rickettsia.
Há também casos de reações alérgicas graves provocadas por uma substância presente na carne vermelha, transmitida pelas carraças. Esta condição pode impedir o consumo de carne em algumas pessoas.
Sintomas a vigiar após uma picada
Após o ataque do parasita, deve-se prestar atenção a sinais como febre, lesões cutâneas ou alterações neurológicas, incluindo paralisia facial, que podem indicar o desenvolvimento de doenças como a borreliose de Lyme.
As semanas seguintes à exposição são cruciais para detetar qualquer sintoma. A identificação precoce pode ser decisiva no sucesso do tratamento, refere ainda o El País.
Prevenção como primeira defesa
O uso de repelentes autorizados é eficaz, desde que aplicados corretamente sobre a pele exposta. É importante lavar bem a pele após o uso e seguir as indicações quanto à frequência da aplicação.
Outra forma eficaz de proteção é o uso de roupa adequada: manga comprida, calças, meias e sapatos fechados. Roupas claras facilitam a deteção do parasita.
Evitar caminhar fora dos trilhos, especialmente em zonas com vegetação alta, é importante. Ao regressar a casa, é aconselhável uma verificação minuciosa do corpo, incluindo zonas como axilas, couro cabeludo, umbigo e orelhas.
















