Num mundo onde os dispositivos móveis fazem parte de quase todos os momentos do dia, é natural que se pense mais nas funcionalidades do telemóvel do que na sua proteção. No entanto, um hábito simples, sugerido por especialistas em segurança, pode reforçar a defesa contra ciberataques e ajudar a manter a privacidade dos utilizadores. A recomendação vem da Agência de Segurança dos Estados Unidos (NSA) e está a ganhar atenção.
Um gesto simples, mas eficaz
De acordo com um relatório da NSA, citado pela Green Vibe, reiniciar o telemóvel uma vez por semana pode ajudar a reduzir a exposição a ameaças digitais. A orientação está incluída no documento “Melhores Práticas em Dispositivos Móveis”, onde são indicadas várias medidas preventivas.
A explicação é técnica, mas fácil de entender. Reiniciar o aparelho corta temporariamente a ligação entre o telemóvel e eventuais atacantes que possam estar a tentar explorar falhas no sistema. Mesmo que essas ações decorram em segundo plano, o simples ato de desligar e voltar a ligar pode interromper processos maliciosos.
Nem solução total, nem gesto inútil
A própria NSA reconhece que este procedimento não elimina todos os riscos. Contudo, pode ser decisivo na proteção contra certos tipos de ataques, especialmente os que se aproveitam de falhas momentâneas na segurança de software.
Esta ação semanal é uma das estratégias mais fáceis de aplicar e que não requer qualquer conhecimento técnico, refere a mesma fonte. Trata-se de uma camada extra de proteção, útil num contexto onde os ataques são cada vez mais sofisticados e difíceis de detetar.
O risco invisível dos ataques silenciosos
Alguns ataques cibernéticos são silenciosos e quase impossíveis de identificar a olho nu. O telemóvel pode continuar a funcionar normalmente enquanto está a ser monitorizado ou controlado remotamente, o que aumenta a gravidade da situação.
O reinício do dispositivo corta este ciclo e força o encerramento de processos em curso. Isso pode travar aplicações espiãs, dificultar a permanência de certos malwares e limitar o tempo que um atacante pode explorar o telemóvel sem ser detetado, indica a NSA, citada pela fonte supracitada.
Outras recomendações de segurança da NSA
Além de reiniciar o dispositivo, o relatório destaca outras medidas que reforçam a segurança. Uma delas é desativar o Bluetooth e o GPS quando não estão a ser usados. Estes serviços, embora úteis, são pontos vulneráveis frequentemente explorados.
A ligação a redes Wi-Fi públicas também deve ser evitada. Estas redes são, muitas vezes, utilizadas como porta de entrada para ataques. Sempre que possível, deve-se usar apenas redes seguras e conhecidas.
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Senhas fortes e atualizações constantes
A escolha de senhas complexas continua a ser uma das defesas mais importantes. Sempre que possível, devem ser ativadas opções de autenticação dupla ou biométrica. Também se recomenda que o tempo de bloqueio automático do ecrã seja reduzido.
As atualizações do sistema operativo e das aplicações devem ser feitas assim que estiverem disponíveis. Muitas incluem correções de falhas de segurança recentemente descobertas.
Aplicações e acessórios de confiança
A instalação de aplicações deve ser feita com critério. Devem evitar-se apps de origem duvidosa ou pouco conhecidas, refere ainda a Green Vibe, com base na NSA. Mesmo em lojas oficiais, é importante verificar a reputação do programador e ler avaliações.
Quanto aos acessórios, a recomendação é usar apenas cabos, carregadores e auscultadores oficiais ou certificados. Produtos não homologados podem comprometer tanto o funcionamento como a segurança do dispositivo.
Exploits de dia zero: o perigo desconhecido
O relatório também alerta para os chamados “exploits de dia zero”. Este termo designa falhas de segurança que ainda não foram identificadas ou corrigidas pelos fabricantes. São vulnerabilidades que, por não estarem resolvidas, tornam os sistemas altamente expostos.
Ataques que exploram estas falhas são particularmente perigosos porque ocorrem antes de qualquer correção estar disponível. Nestes casos, medidas básicas como reiniciar o telemóvel e manter o sistema atualizado podem ser as únicas formas de reduzir o impacto.
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