Manter um peso corporal considerado saudável é muitas vezes apontado como sinónimo de bem-estar. No entanto, um estudo apresentado no congresso da Associação Europeia para o Estudo de Diabéticos, que decorreu em Viena, sugere que a realidade pode ser mais complexa. Segundo a investigação, ser muito magro pode trazer riscos significativos para a saúde e, em alguns casos, aumentar a probabilidade de mortalidade mais do que ter excesso de peso.
O estudo acompanhou mais de 85 mil pessoas durante cinco anos, período em que 7.555 participantes vieram a falecer. De acordo com o site Notícias ao Minuto, 81,4% dos voluntários eram mulheres, com uma idade média de 66,4 anos no início da investigação, permitindo analisar os efeitos do peso corporal ao longo do tempo e em diferentes faixas etárias.
O paradoxo do baixo peso
Segundo a mesma fonte, a investigação revelou que pessoas com excesso de peso ou ligeiramente obesas não apresentavam maior probabilidade de morrer em comparação com participantes com um IMC considerado saudável.
Esta situação tem sido descrita por alguns especialistas como “metabolicamente saudável e gordo”, indicando que algum excesso de peso não significa automaticamente um risco acrescido de mortalidade.
Por outro lado, os indivíduos com peso muito baixo, com IMC de 18,5 ou menos, apresentavam 2,7 vezes mais probabilidade de morrer. Sigrid Bjerge Gribsholt, uma das autoras do estudo, explicou que, em alguns casos, esta relação pode dever-se à causalidade reversa: algumas pessoas perdem peso devido a doenças subjacentes.
Nestes casos, é a doença e não o baixo peso que aumenta o risco de morte, criando a impressão de que um IMC mais elevado seria protetor.
Segundo a especialista, é também possível que pessoas com IMC mais elevado que vivem mais possuam certas características de proteção que influenciam os resultados. Ainda assim, conclui-se que indivíduos muito magros enfrentam um risco de mortalidade superior, destacando a importância de manter um peso equilibrado.
O impacto da gordura abdominal
Apesar destas conclusões, os cientistas sublinham que a distribuição da gordura corporal é igualmente determinante para a saúde. Um estudo publicado no European Heart Journal revelou que a gordura abdominal, conhecida como gordura visceral, aumenta o risco de doenças cardíacas. Este tipo de gordura, que envolve órgãos internos, tende a acumular-se com a idade devido a alterações hormonais e a um metabolismo mais lento.
Para chegar a estas conclusões, investigadores do Laboratório de Ciências Médicas do Conselho de Investigação Médica de Londres analisaram dados de saúde de 21.241 participantes do Biobank do Reino Unido.
A equipa utilizou imagens detalhadas do corpo e do coração e recorreu a modelos de inteligência artificial para comparar a “idade cardíaca” com a idade real dos participantes. Os resultados mostraram que excesso de gordura visceral acelera o envelhecimento do coração e dos vasos sanguíneos, aumentando o risco de doenças cardiovasculares.
Tal como refere o Notícias ao Minuto, o estudo reforça a necessidade de atenção ao peso corporal, não apenas para evitar obesidade, mas também para prevenir baixos pesos que possam sinalizar problemas de saúde subjacentes. Mantendo um equilíbrio, é possível reduzir o risco de mortalidade e promover uma vida mais saudável.
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