As poeiras do Saara já estão novamente em Portugal e vão influenciar o estado do tempo e a qualidade do ar nos próximos dias, com maior impacto no Centro e Sul do país. O fenómeno, confirmado pelas autoridades meteorológicas, deverá provocar céu mais encoberto, descida das temperaturas máximas e possível deposição de partículas à superfície com a chegada da chuva.
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), encontram-se em suspensão partículas provenientes do norte de África, transportadas por correntes atmosféricas associadas à circulação de sul.
Este tipo de episódio é relativamente frequente em Portugal, sobretudo na primavera e no verão, quando massas de ar quente e seco sobem desde o deserto do Saara.
Porque chegam estas poeiras a Portugal?
Segundo o IPMA, as poeiras resultam da elevação de partículas finas em regiões áridas, onde a escassez de precipitação e a intensidade do vento facilitam o seu transporte para níveis mais altos da atmosfera.
Uma vez em altitude, estas partículas podem percorrer milhares de quilómetros, atingindo o território continental e as regiões autónomas.
Parte do material particulado pode também estar associado a queimadas agrícolas em zonas do norte de África, fenómeno que contribui para o aumento da concentração de poeiras em circulação. Ainda assim, trata-se maioritariamente de poeira mineral típica de áreas desérticas.
O arquipélago da Madeira foi o primeiro a registar a presença destas partículas, com concentrações inicialmente baixas, sobretudo na costa norte da ilha. Já no continente, as regiões Centro e Sul começaram a sentir os efeitos, com céu mais acinzentado e redução da visibilidade em alguns pontos.
O que muda nos próximos dias?
As previsões apontam para uma intensidade baixa a moderada, embora suficiente para alterar o aspeto do céu e influenciar a qualidade do ar. A partir de quarta-feira, está prevista precipitação em várias regiões, o que poderá provocar a deposição das poeiras à superfície.
É este cenário que pode originar a chamada chuva de lama, fenómeno que deixa marcas visíveis em viaturas, varandas e mobiliário urbano. Ainda assim, as projeções indicam que o episódio deverá ser menos intenso do que outros registados nos últimos anos e que a situação tenderá a normalizar gradualmente.
Que impacto tem na saúde?
A Direção-Geral da Saúde (DGS) recorda que a presença de poeiras em suspensão pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares. De acordo com a autoridade de saúde, crianças, idosos e pessoas com patologias crónicas devem evitar exposição prolongada ao ar livre durante os períodos de maior concentração.
Segundo a mesma fonte, estes grupos devem permanecer preferencialmente no interior dos edifícios, mantendo portas e janelas fechadas sempre que possível. A DGS aconselha ainda a redução de esforços físicos intensos no exterior e a limitação de atividades desportivas ao ar livre.
Para a população em geral, as recomendações passam por evitar fatores adicionais de risco, como o fumo do tabaco ou o contacto com produtos irritantes, e por acompanhar a evolução dos boletins da qualidade do ar.
E quem tem doenças crónicas?
No caso dos doentes crónicos, a DGS recomenda a manutenção rigorosa da medicação prescrita e vigilância de sintomas como falta de ar, tosse persistente ou agravamento de queixas cardiovasculares. Em caso de dúvida ou agravamento do estado clínico, deve ser contactada a Linha Saúde 24.
Embora o fenómeno seja temporário, os especialistas sublinham que a exposição repetida a partículas finas pode ter efeitos cumulativos, pelo que a adoção de medidas preventivas é considerada essencial durante estes episódios.
Nos próximos dias, o céu poderá manter-se turvo e as temperaturas ligeiramente mais baixas. A evolução dependerá da intensidade da circulação atmosférica e da eventual ocorrência de precipitação, que ajudará a limpar a atmosfera e a devolver gradualmente a normalidade.
















