Dormir abraçado à pessoa com quem se partilha a vida é, para muitos casais, um gesto natural de carinho e proximidade emocional. A imagem de duas pessoas a dormir entrelaçadas continua a ser associada a relações saudáveis e felizes. No entanto, quando o objetivo é descansar bem e acordar verdadeiramente recuperado, este hábito pode estar a sabotar a qualidade do sono, de acordo com um especialista do sono.
A ideia de que dormir abraçado ajuda a relaxar e a adormecer mais depressa está enraizada na cultura popular. Ainda assim, vários especialistas, citados pelo jornal espanhol AS, alertam que manter essa posição durante toda a noite pode ser prejudicial para o descanso profundo e contínuo, mesmo que o casal não se aperceba disso ao acordar.
Segundo Juan, especialista do sono da marca de colchões Nattex, dormir abraçado é uma das piores escolhas para quem procura um sono reparador. “Dormir a abraçar o parceiro é o pior que se pode fazer se o objetivo for descansar bem. Dizem-nos que ajuda a relaxar e a dormir melhor, mas isso é apenas uma parte da história”, explica.
O especialista do sono sublinha que, durante a noite, o corpo muda naturalmente de posição várias vezes. Esses movimentos são essenciais para a qualidade do sono, mas acabam por interferir no descanso da outra pessoa. “Mesmo que não se recorde, esses microdespertares afetam o sono profundo e fazem-se sentir no dia seguinte”, afirma, citado pela mesma fonte.
Dormir em casal, mas com espaço
Para Juan, dormir em casal não é, por si só, um problema. O problema surge quando existe contacto permanente durante toda a noite. Segundo o especialista, há duas soluções eficazes para preservar o descanso: dormir em camas separadas ou optar por camas grandes com independência de colchões.
Esta última opção permite que cada pessoa se mova livremente durante a noite sem perturbar o sono do outro. “O colchão é concebido para absorver os movimentos. Assim, mesmo que um se mexa, o outro não sente”, explica, defendendo que esta é a melhor alternativa para a maioria dos casais.
Corpo precisa de se mexer
O corpo humano não foi feito para permanecer imóvel durante várias horas seguidas. Enquanto dormimos, mudamos de posição para aliviar a pressão acumulada nos músculos e articulações e para favorecer a circulação sanguínea.
Quando se dorme abraçado, esses movimentos tornam-se mais limitados. Muitas pessoas evitam mudar de posição para não acordar ou incomodar o parceiro, o que acaba por provocar rigidez muscular, dores nas costas ou no pescoço e pequenos despertares ao longo da noite, de acordo com a mesma fonte.
Estes despertares são, muitas vezes, tão breves que não ficam na memória. Ainda assim, fragmentam o sono e reduzem o tempo passado nas fases mais profundas, essenciais para a recuperação física e mental.
Excesso de calor também pesa
Outro fator frequentemente ignorado é o calor corporal. O contacto físico constante aumenta a temperatura do corpo, o que pode ser confortável nos primeiros minutos, mas torna-se um problema à medida que a noite avança.
Para entrar nas fases profundas do sono, o organismo precisa de reduzir ligeiramente a sua temperatura. Quando isso não acontece, o sono tende a tornar-se mais leve e menos reparador, o que se traduz em cansaço, menor concentração e sensação de sono insuficiente no dia seguinte.
Dormir em casal continua a ser compatível com uma boa noite de descanso, mas exige equilíbrio entre proximidade e conforto, de acordo com o AS. Para muitos especialistas, como é o caso de Juan, o segredo não está em dormir afastado, mas em garantir espaço suficiente para que cada corpo possa mover-se livremente e manter a temperatura ideal ao longo da noite.
















