Ficar com uma espinha de peixe presa na garganta é um problema relativamente comum, sobretudo numa altura em que o peixe grelhado marca presença em muitas refeições. Comer pão é um dos truques caseiros mais conhecidos, mas tentar empurrar a espinha à força pode não ser a opção mais segura.
Na maioria dos casos, uma espinha pequena pode apenas arranhar a garganta e deixar a sensação de que continua presa, mesmo quando já passou. No entanto, espinhas maiores ou pontiagudas podem ficar alojadas e causar lesões no esófago ou noutras estruturas.
É precisamente por isso que convém distinguir um simples desconforto de uma situação em que é necessária avaliação médica, de acordo com o Notícias ao Minuto.
Comer pão ajuda a retirar uma espinha?
Comer pão é provavelmente um dos métodos caseiros mais conhecidos em Portugal. A ideia passa por engolir um pedaço de alimento que possa arrastar a espinha para o estômago.
Apesar da popularidade deste método, as orientações clínicas consultadas não recomendam tentar forçar a passagem de uma espinha afiada através da ingestão de alimentos. Uma espinha de peixe é considerada um corpo estranho pontiagudo e, caso esteja efetivamente presa, pode necessitar de ser observada e removida por profissionais de saúde.
Por esse motivo, insistir em engolir grandes pedaços de pão, arroz, batata ou outros alimentos para tentar empurrar a espinha pode não ser aconselhável, sobretudo se existir dor ou dificuldade em engolir.
Evite tentar tirar a espinha com os dedos
Outro erro frequente passa por colocar os dedos ou algum utensílio dentro da garganta para tentar alcançar a espinha.
Se o objeto não estiver claramente visível e facilmente acessível, esta tentativa pode fazer com que seja empurrado ainda mais para o interior ou provocar novas lesões. As recomendações de primeiros socorros também desaconselham colocar os dedos na boca quando não é possível ver o objeto.
Tossir pode ajudar quando existe apenas uma obstrução ligeira das vias respiratórias, já que a tosse é um dos mecanismos naturais utilizados pelo organismo para expulsar corpos estranhos.
Sensação pode continuar mesmo sem a espinha
É possível continuar a sentir uma espécie de picada ou arranhão depois de a espinha já ter passado. Isto pode acontecer devido à irritação provocada durante a deglutição.
Ainda assim, quando a sensação de algo preso na garganta permanece, não deve ser ignorada. O NHS inclui a sensação persistente de um objeto preso depois de comer entre os sinais que justificam procurar aconselhamento médico com urgência.
O mesmo se aplica quando existe dificuldade em engolir, tosse ou engasgamento durante a ingestão de alimentos e líquidos.
Há sinais que não devem ser ignorados
Uma espinha afiada pode ficar presa no esófago e, em determinados casos, provocar complicações. Ossos de peixe estão entre os objetos pontiagudos que podem ficar alojados no aparelho digestivo.
Dificuldade em respirar, incapacidade de engolir, engasgamento significativo ou agravamento rápido dos sintomas justificam assistência médica imediata. Uma obstrução das vias respiratórias pode constituir uma emergência.
Se a pessoa consegue respirar normalmente, mas continua com dor ou com a sensação clara de que a espinha permanece presa, a opção mais segura é procurar avaliação médica em vez de continuar a experimentar alimentos ou outros métodos caseiros.
Assim, embora comer pão seja um dos truques mais repetidos quando uma espinha fica presa na garganta, não deve ser encarado como uma solução garantida. Perante uma espinha pontiaguda que não desaparece ou sintomas persistentes, a avaliação por um profissional de saúde é a forma mais segura de resolver o problema.
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