O cancro do estômago é uma das doenças que mais preocupa a comunidade médica internacional, devido à sua gravidade e ao elevado número de diagnósticos registados todos os anos. Entre os fatores que contribuem para este cenário, há um agente em particular que merece atenção redobrada: uma bactéria amplamente disseminada na população mundial.
A Helicobacter pylori e o risco associado
O estudo liderado por Jin Young Park, do Centro Internacional para a Investigação sobre o Cancro da OMS, apontou que cerca de 76% dos casos de cancro do estômago estarão relacionados com uma infeção específica: a Helicobacter pylori.
Esta bactéria foi classificada como cancerígena de tipo I pela Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro. Segundo Franz Dominik Villarroel Espíndola, do Instituto Oncológico Fundação Arturo López Pérez e da Organização Europeia de Institutos Oncológicos, estima-se que mais de metade da população mundial esteja infetada, conforme refere o El Cronista.
Previsões a nível global
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 15,6 milhões de pessoas nascidas entre 2008 e 2017 desenvolverão cancro do estômago ao longo da vida, sendo que 76% dos casos (cerca de 11,9 milhoes) serão devido à Helicobacter pylori. Esta estimativa teve como base dados recolhidos até 2022 em 185 países, o que reforça a abrangência e a gravidade da conclusão.
A análise indica que a Ásia será o continente mais afetado, com cerca de 10,6 milhões de casos previstos. Segundo refere a mesma fonte, só a China e a Índia concentram, em conjunto, cerca de 6,5 milhões desses casos, o que evidencia a escala do problema em países com grandes populações.
Transmissão e prevenção
A infeção por Helicobacter pylori ocorre maioritariamente por via oral-fecal. O contacto com saliva, vómito ou fezes de uma pessoa infetada representa um risco, tal como a ingestão de água ou alimentos contaminados.
Segundo aponta a mesma fonte, a prevenção passa sobretudo por boas práticas de higiene, como lavar bem as mãos e garantir a segurança no consumo de água e alimentos. Em zonas com sistemas de saneamento deficitários, o risco de contaminação é mais elevado.
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Sinais que devem motivar atenção médica
Embora muitas infeções sejam silenciosas, há sintomas que podem surgir e que não devem ser ignorados. Entre os mais comuns estão dor ou ardor na parte superior do abdómen, sensação de enfartamento após as refeições, náuseas frequentes, perda de apetite, eructações e mau hálito.
Também pode ocorrer perda de peso involuntária. A fonte acima citada refere que, em situações mais graves, a bactéria está associada a úlceras gástricas ou duodenais, que podem causar hemorragias internas, vómitos com sangue ou fezes muito escuras, sinais que exigem assistência médica urgente.
Impacto da bactéria no organismo
A Helicobacter pylori instala-se na mucosa que reveste o estômago e o duodeno, sendo uma das poucas bactérias que conseguem sobreviver em ambientes tão ácidos como o estômago humano. Para isso, produz uma enzima denominada urease, capaz de neutralizar o ácido gástrico.
Segundo aponta o El Cronista, com o tempo, a presença desta bactéria pode desencadear inflamações persistentes na parede gástrica. Sem tratamento, estas inflamações podem evoluir para lesões mais graves, incluindo o cancro.
Detetar a infeção
A OMS alerta para a necessidade de detetar e tratar precocemente a infeção por Helicobacter pylori, especialmente em regiões onde a sua prevalência é elevada. O diagnóstico pode ser feito por exames laboratoriais simples, e o tratamento envolve geralmente a toma de antibióticos combinados com medicamentos para reduzir a acidez do estômago.
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