Autoridades de saúde britânicas estão em alerta devido à crescente deteção de um fungo potencialmente mortal em hospitais. A infeção, causada por uma levedura chamada Candidozyma auris (ou C. auris), foi classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um patogénio fúngico de “prioridade crítica” e está a preocupar especialistas pela facilidade com que se propaga em ambientes hospitalares.
O Candidozyma auris é uma espécie de fungo que pode colonizar a pele e o ambiente hospitalar, resistindo a diversos desinfetantes e a vários tipos de antifúngicos.
Embora até há pouco tempo fosse raro em Inglaterra, a Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido (UKHSA) confirmou um aumento nas deteções em hospitais, em articulação com o Serviço Nacional de Saúde (NHS England) e outras entidades, de acordo com o jornal britânico Daily Express.
Um perigo silencioso para doentes vulneráveis
O maior risco deste fungo potencialmente mortal recai sobre pacientes internados com sistemas imunitários enfraquecidos, como pessoas submetidas a cirurgias, portadoras de cateteres, drenos ou outros dispositivos médicos invasivos.
A UKHSA alerta que, se o fungo entrar no organismo ou na corrente sanguínea, pode provocar infeções graves.
Gravidade da infeção é variável
De acordo com as autoridades de saúde, citadas pela mesma fonte, a gravidade das infeções varia: algumas pessoas podem transportar o fungo sem apresentar sintomas, enquanto outras desenvolvem infeções sérias no sangue, cérebro, coluna, ossos, abdómen, feridas, ouvidos, sistema respiratório ou urinário. Mesmo quem é apenas portador pode, a qualquer momento, desenvolver sintomas ou transmitir o fungo a outros pacientes.
Mortes e surtos hospitalares desde 2015
O Reino Unido já registou vários surtos prolongados de C. auris desde 2015, sobretudo em hospitais de Londres e do Sudeste de Inglaterra. Estes episódios exigiram medidas de contenção rigorosas e resultaram em grandes perturbações nos serviços hospitalares, com encerramento de enfermarias e limpezas profundas para travar a transmissão.
A UKHSA reconhece que os picos de deteção observados ao longo dos anos estão maioritariamente associados a surtos hospitalares de difícil controlo, que exigem recursos significativos para serem debelados.
Um desafio global para a saúde pública
Fora do Reino Unido, o Candidozyma auris tem sido associado a taxas de mortalidade elevadas, especialmente em países onde o diagnóstico é tardio ou o tratamento antifúngico é limitado.
A OMS, de acordo com o Daily Express, incluiu-o em 2022 na sua lista de fungos de maior ameaça para a saúde humana, destacando a necessidade urgente de investigação, vigilância e desenvolvimento de novos medicamentos.
Com o aumento global das resistências antimicrobianas, casos como o de C. auris mostram que as infeções fúngicas deixaram de ser problemas raros e estão a tornar-se um desafio central da medicina moderna, sobretudo em hospitais, onde a prevenção e o controlo rigoroso da infeção podem ser decisivos para salvar vidas.
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