

Os investigadores, epidemiologistas e profissionais de saúde têm vindo a ser destaque de notÃcia no PaÃs e no mundo, fruto da catástrofe pandémica que vivemos. Esta está a ser a era da promoção da saúde e finalmente a atenção dos órgãos de soberania está nos seus diferentes nÃveis. O ideal, é a prevenção de qualquer tipo de doença.
A ciência tem-nos demonstrado que sujeitos fisicamente ativos (desportistas essencialmente) apresentam sintomatologia muito reduzida no que diz respeito à s doenças infeciosas como o Covid-19. Mais ainda, os benefÃcios associados à prática de exercÃcio fÃsico confirmam a maior eficiência do sistema cardiorrespiratório e cardiovascular. Desta forma, quer o tratamento, quer a prevenção tornam-se mais eficientes com recurso ao exercÃcio fÃsico. No entanto, de acordo com a organização mundial de saúde, em Portugal, apenas 38% das crianças, 12% dos adolescentes e 35% dos adultos cumprem com as recomendações mÃnimas de atividade fÃsica. Tal facto leva-nos a repensar as preocupações e os cuidados para com a saúde pública. No entanto, as atenções acabam voltadas para a terceira idade, onde o estado enfermo é mais prevalente.
O ISCE Douro é colaborador de um projeto de investigação aplicado à terceira idade, o +Idade+Saúde. Deste projeto, tem sido publicada produção cientÃfica que pretende avaliar os efeitos de programas de exercÃcio fÃsico em idosos da comunidade. Dos principais resultados, destacamos que, através de 3 sessões de exercÃcio fÃsico semanal de 60 minutos, são proporcionadas melhorias no sistema cardiorrespiratório, na aptidão funcional (capacidade de realizar tarefas de vida diária com autonomia), composição corporal e na qualidade de vida. É certo que, para as melhorias serem conseguidas é condição o rigor na especificidade, orientação, planeamento e definição dos exercÃcios a utilizar no programa de exercÃcio fÃsico.
Das investigações realizadas destacamos que: a composição corporal da população idosa tende a não ser alterada através do exercÃcio; a aptidão funcional tende a melhorar com recurso ao exercÃcio fÃsico, mas em participantes treinados tende a manter-se; a capacidade cardiorrespiratória tende a melhorar ou manter-se dependendo se os participantes são sedentários ou ativos, respetivamente; a qualidade de vida tende a melhorar ou manter-se, novamente dependendo se os participantes eram sedentários ou ativos, respetivamente. Os trabalhos de investigação realizados pela equipa de investigadores têm vindo a demonstrar que o exercÃcio melhora a qualidade de vida na população idosa. No entanto, em sujeitos que apresentam nÃveis elevados de atividade fÃsica (ou que praticam regularmente), o exercÃcio fÃsico mostra-se fundamental para retardar as morbilidades associadas ao envelhecimento.
Face ao exposto, as recomendações que tem vindo a ser fornecidas na literatura, assentam essencialmente na prática de atividades fÃsicas entre 150 a 300 minutos semanais. Certo é que a atividade fÃsica é uma prática que não cumpre com um conjunto especÃfico de princÃpios, pelo que através desta, os efeitos positivos tendem a ser pouco especÃficos. Assim, três sessões semanais de 60 minutos perfazem o mÃnimo das recomendações de atividade fÃsica. No entanto, realça-se que o incremento do tempo de prática deve sempre ser supervisionado por especialistas.
Muito ainda há a fazer na aplicação de programas de exercÃcio fÃsico na comunidade. No ISCE Douro é possÃvel aconselharmos autarquias e entidades regionais para a aplicação de programas de exercÃcio fÃsico previamente testados, através de diversos estudos de cariz experimental na comunidade. Assim, será possÃvel minimizar as morbilidades associadas ao envelhecimento e promover a saúde local através de um trabalho de terreno baseado em evidências cientÃficas. No entanto, ainda há um longo caminho na transmissão do conhecimento cientÃfico à comunidade.

* Pedro Forte é Professor Coordenador e Coordenador do Departamento de Desporto do ISCE Douro. Doutorado em Ciências do Desporto pela Universidade da Beira Interior, Mestre em ExercÃcio e Saúde e Licenciado em Desporto pelo Instituto Politécnico de Bragança.
O seu trabalho de investigação tem vindo a abordar questões relacionadas com o exercÃcio enquanto promotor de indicadores de saúde e com a performance desportiva.
















