Tenho os Olhos a Florir é a incursão de Marta Pais Oliveira na ficção infantojuvenil. Um livro que na verdade se direciona sobretudo para aqueles que ainda se deixam deslumbrar, pela leitura como porta de entrada para novos mundos, pelo sonho, pela arte. Este pequeno livro, publicado pela Gradiva Júnior, tem ilustrações de Maria João Neves. Sobre este livro infantojuvenil, Afonso Cruz declarou que: «Este é um daqueles livros que voam e, mais importante, cumprem a promessa do seu tÃtulo: fazer os olhos florir.»
Como anunciado na capa, é uma «celebração do livro e da liberdade».
A sinopse sintetiza que:
«O céu desta história está pintado por um bando voador que nem sempre se deixa apanhar – ou domesticar. Mas um dia alguém exige que se capture um pequenino e raro manual de instruções de como fazer um herbário. Aà começa uma grande confusão. Como se resiste a uma imaginação encolhida? Como se ergue um olhar curioso que sabe que conhecer é cuidar, e cuidar é amar?»

Doutorado em Literatura na UAlg
e Investigador do Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC)
Um livro que nos fala por metáforas e analogias, sempre de forma clara e direta, acessÃvel a crianças inteligentes e habituadas a histórias e a puxar pela imaginação
Numa prosa poética, metafórica, rica em imagens, a narrativa parece desenvolver a premissa contida nos versos de Manuel António Pina que surgem em epÃgrafe:
A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros.
(enquanto os pássaros não acabarem).
Há avós que se sentam em bancos de jardins a vê-los pousar. Por vezes, para criar estardalhaço, atiram várias migalhas de uma vez só. Há quem não saiba identificar as espécies, mas também há quem não se deixe enganar e distinguir claramente um ensaio de um romance, ou que saiba quais os que se alimentam de gargalhadas e os que vivem num arrepio. O certo é que no bando voador todas as espécies gostam do toque humano. Precisam dele.
«Já poucos restavam no céu e as pessoas regressaram aos empregos e rotinas de sempre. Voltava a normalidade. Enquanto esta engordava, os livros emagreciam, ficando cada vez mais espaço entre uns e outros. Já não se reproduziam e, sem olhares atentos, definhavam. Também as pessoas embruteciam e esqueciam conceitos simples. Perdiam ideias como quem perde meias dentro da máquina de lavar.»

Um livro que nos fala por metáforas e analogias, sempre de forma clara e direta, acessÃvel a crianças inteligentes e habituadas a histórias e a puxar pela imaginação. Uma prosa belÃssima que pode ser explorada por pais ou por professores, onde uma coisa nem sempre é só uma coisa.
Marta Pais Oliveira estará em Faro hoje, dia 21 de maio de 2025, entre as 15h e as 18h, para uma Ação de Formação de Curta Duração com professores, e de entrada livre a todos os leitores interessados.
O evento decorre na Biblioteca Municipal de Faro e é organizado pelo Centro de Formação Ria Formosa, integrado no Agrupamento de Escolas João de Deus.
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