Até que ponto, nas chamadas democracias liberais – como aquela em que vivemos – a vontade popular se expressa de forma realmente livre, racional e descondicionada?
Será que não está, afinal, sujeita a uma série de influências e pressões, mais ou menos visíveis?
A comunicação social, por exemplo, não constrói grande parte das narrativas dominantes, muitas vezes alinhadas com os interesses dos grandes grupos económicos e financeiros?

Jurista
Talvez o mais urgente seja cultivar uma vigilância crítica constante. Exigir pluralismo informativo real. Criar condições sociais que nos permitam pensar com liberdade
E os algoritmos das redes sociais — não filtram e priorizam os conteúdos que vemos, moldando o debate público segundo lógicas comerciais e opacas?
E que dizer da educação política, tantas vezes frágil ou enviesada, e da cultura cívica, que nem sempre promove um pensamento crítico e informado?
Por fim, em nome da segurança — como no caso da censura imposta pela União Europeia a canais como a RT ou a Sputnik — não se limita o acesso a vozes divergentes, comprometendo o princípio do contraditório e empobrecendo o debate?
Se tudo isto condiciona a formação da vontade popular… que fazer?
Talvez o mais urgente seja cultivar uma vigilância crítica constante. Exigir pluralismo informativo real. Criar condições sociais que nos permitam pensar com liberdade.
Porque uma democracia sem pensamento livre é só uma aparência de escolha.
Leia também: Resistência | Por Luís Ganhão
















