Afonso Reis Cabral, uma das mais promissoras vozes da nova ficção portuguesa, nasceu em 1990. Aos 15 anos publicou o livro de poesia Condensação.
Licenciado em Estudos Portugueses e Lusófonos, fez mestrado na mesma área e tem uma pós-graduação em Escrita de Ficção.
Em 2014, ganhou o Prémio LeYa com o romance O Meu Irmão. Tem contribuÃdo com dezenas de textos para as mais variadas publicações. Em 2017, foi-lhe atribuÃdo o Prémio Europa David Mourão-Ferreira na categoria de Promessa, em 2018 o Prémio Novos na categoria de Literatura e em 2019 o Prémio GQ MOTY na categoria de Literatura.

Doutorado em Literatura na UAlg
e Investigador do Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC)
O Meu Irmão, de Afonso Reis Cabral, foi o vencedor do Prémio Leya, o mais importante prémio literário nacional
No final de 2018 publicou o seu segundo romance, Pão de Açúcar, com forte acolhimento por parte da crÃtica e vencedor do Prémio Literário José Saramago em 2019.
Entre abril e maio de 2019, percorreu Portugal a pé ao longo dos 738,5 quilómetros da Estrada Nacional 2, até chegar a Faro, onde tirou a fotografia de capa do livro, com o tÃtulo Leva-me Contigo – Portugal a pé pela Estrada Nacional 2, reeditado em março deste ano.

Mais recentemente, foi publicado na revista Sábado, em várias partes, um conto intitulado “O Chimpanzé”.
A Dom Quixote, que tem vindo a publicar a sua obra, prepara-se para lançar, dentro de meses, o seu livro mais recente, intitulado O último avô.

As suas obras encontram-se traduzidas em várias lÃnguas. É o atual Presidente da Fundação Eça de Queirós.
O autor estará em Faro dia 28 de maio de 2025, quarta-feira de tarde, para uma Ação de Formação de Curta Duração com professores. O evento decorre, entre as 15h e as 18h, no auditório da Biblioteca Municipal de Faro, e é aberto a quem quiser comparecer – independentemente de ser professor ou formador. Todos os leitores e curiosos serão bem-vindos para ouvir e conversar com o autor sobre a sua obra, sobre o seu mais recente romance, e sobre o seu processo de criação.
A Ação de Formação é organizada pelo Centro de Formação Ria Formosa, integrado no Agrupamento de Escolas João de Deus.
O Meu Irmão
O Meu Irmão, de Afonso Reis Cabral, foi o vencedor do Prémio Leya, o mais importante prémio literário nacional, então no valor de cem mil euros, atribuÃdo ao melhor romance original escrito em lÃngua portuguesa.
O Prémio Leya 2014 distinguiu-se, nesse ano, em dois aspetos: não só premiou o mais jovem autor de sempre na história deste galardão, como também antecipou a publicação do livro premiado. Tendo o vencedor sido anunciado em 17 de Outubro, o livro chegou às livrarias no dia 21 de Novembro, ao contrário do que antes acontecia, em que o romance vencedor era publicado apenas no primeiro trimestre do ano seguinte à sua atribuição.

O livro tem estado esgotado, mas foi reeditado e chega dentro das próximas semanas às livrarias, numa edição comemorativa dos 10 anos do Prémio Leya.
O inÃcio do romance de O Meu Irmão parece delimitar bem a ação espacialmente: «Isto vai passar-se no Tojal. Ora o Tojal é perto de Arouca e longe de tudo o resto.» (p. 9), da mesma forma que acusa desde logo uma nota oralizante que persistirá ao longo da narrativa. Todavia esta precisão da coordenada espacial pode revelar-se enganadora. O local da ação não se pode considerar atópico mas é de tal modo isolado e primitivo que parece servir apenas o objetivo de confinar o protagonista, numa espécie de reclusão voluntária que melhor servirá à introspeção que decorre ao longo dos próximos capÃtulos.
A ação decorre assim em dois planos paralelos, em capÃtulos alternados não numerados, onde por um lado temos a ação circunscrita ao Tojal que decorre no presente e, por outro lado, discorre a narração progressiva da vida do narrador e do seu irmão, desde a infância, até chegarmos exatamente ao momento com que se inicia o romance, de forma a compreender o mistério que motivou aquela viagem de regresso à casa de famÃlia. O livro configura-se assim numa espécie de viagem de retorno que permitirá, por fim, compreender a decisão do narrador se ter isolado com o irmão, numa tentativa desesperada de reaver o seu amor, durante uma semana no Tojal. Esta casa semiabandonada, perdida numa pequena aldeia de xisto, perto do rio Paiva, onde os dois irmãos passavam as férias com os pais, em crianças, e que agora possui apenas três habitantes, dado o isolamento do local, deverá assim servir de último refúgio ao reparo da relação entre o narrador e o seu irmão Miguel, se bem que o confinamento também acarrete perigos ou revelações irresolúveis: «Agora penso que fugir do mundo foi um erro, porque nos colocámos no centro dele.» (p. 53).

No final do romance, algo emblemático, quando os dois irmãos imersos no nevoeiro se seguram de forma a encontrar o caminho de volta, confirma-se a sensação de se fechar um ciclo – é inclusivamente curioso que o próprio romance se estenda ao longo de 365 páginas.
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