O PS Olhão entrou numa espiral de desnorte político que revela bem a proximidade das eleições e a fragilidade de quem, depois de décadas no poder, já não consegue esconder vícios e práticas que corroem a confiança dos cidadãos.
A começar pelas avenças generosamente atribuídas pela empresa municipal Ambiolhão ao Presidente da Assembleia Municipal de Olhão. Estamos a falar de contratos sucessivos de milhares de euros, atribuídos diretamente, ao mesmo beneficiário.
Legal? Sim.
Ético, equilibrado e rigoroso? Nunca!
Uma empresa municipal, financiada com o dinheiro dos contribuintes, não pode servir como bolsa de favorespara os protagonistas do partido que a tutela. Esta promiscuidade entre funções políticas e negócios pagos por entidades públicas é a face mais feia da governação socialista em Olhão.
E como se isto não bastasse, o PS Olhão decidiu apresentar, na última Assembleia Municipal, uma moção de protesto contra Cristóvão Norte, candidato à Câmara Municipal de Faro, por declarações feitas num programa de televisão. Mas a forma como este episódio se desenrolou diz tudo: a votação foi um momento conturbado, já que os partidos da oposição PAN, CDU, CHEGA e PSD abandonaram a sala em sinal de protesto, recusando-se a participar numa farsa. No final, apenas a maioria absoluta do PS ficou para votar… e, sozinhos, aprovaram a sua própria moção. Uma vitória sem legitimidade política, um exercício de força que cheira mais a perseguição do que a democracia.
Mas a crise do PS Olhão não se limita à oposição. Dentro do próprio partido, o descontentamento já rebenta pelas costuras. Dois vereadores do executivo municipal bateram com a porta e assumiram a liderança de um movimento independente contra o próprio PS. Um facto inédito e revelador: nem os que estiveram por dentro da máquina socialista suportam mais as práticas e métodos que dominam Olhão há meio século. O partido não está apenas isolado externamente, está também partido e fragilizado internamente.
E a cereja no topo do bolo é a posição do próprio Presidente da Câmara de Olhão. Ainda sem se ter demitido do cargo que ocupa, é assumido candidato à Câmara Municipal de Faro. Um pé em Olhão, outro em Faro, como se a presidência de um município fosse apenas um trampolim pessoal e não uma missão de dedicação exclusiva.
Um Presidente deve servir os cidadãos até ao último dia do seu mandato, e não utilizar o cargo como plataforma para voos políticos pessoais.
Tudo isto junto mostra apenas uma coisa: o PS Olhão está com medo. Medo de perder as suas cadeiras políticas, medo de perder os lugares de poder que ocupa há décadas, medo de que os cidadãos lhes virem as costas. Avenças, deserções internas e candidaturas duplas são sintomas de um partido nervoso e em desespero.
O PS Olhão revela, com estas atitudes, que está de cabeça perdida. Os olhanenses e os farenses merecem melhor. Merecem transparência, verdade e dedicação, não um PS atolado em jogos de poder, favores e divisões internas.
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