A falta de nadadores-salvadores nas praias portuguesas mantém-se como um problema recorrente no início de cada época balnear. Apesar de Portugal formar milhares de profissionais certificados todos os anos, uma parte significativa não regressa à atividade no verão seguinte, obrigando a repetir o processo de recrutamento para garantir a vigilância das zonas balneares.
A Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores (Fepons) tem alertado para esta escassez, que se prolonga há mais de uma década. Os números indicam que existem mais de 5.000 profissionais certificados, mas seriam necessários entre 6.000 e 6.500 para assegurar a cobertura das praias com os horários habituais de trabalho.
Profissão sazonal com procura garantida
A atividade continua a ser procurada sobretudo por estudantes universitários, que encontram nesta função uma possibilidade de trabalho durante os meses de verão. A formação é relativamente curta e permite obter uma certificação válida para exercer a profissão durante três anos.
Escreve o portal Ekonomista que cerca de metade dos nadadores-salvadores que trabalham numa época balnear não regressa no ano seguinte. A sazonalidade da profissão, os horários exigentes e a falta de uma carreira profissional mais estável são apontados como alguns dos fatores que contribuem para esta saída.
O que implica ser nadador-salvador
Note que o trabalho não se limita à vigilância dos banhistas dentro de água. O profissional tem como principais responsabilidades identificar situações de risco, alertar para comportamentos perigosos, prestar assistência e realizar salvamentos quando necessário.
A função inclui ainda conhecimentos de primeiros socorros e suporte básico de vida, além da utilização de equipamentos como bóias, pranchas ou cintos de salvamento. O Instituto de Socorros a Náufragos (ISN), integrado na Autoridade Marítima Nacional, é a entidade responsável pela supervisão da formação e certificação destes profissionais.
Formação exige preparação física
Para frequentar o curso de nadador-salvador é necessário cumprir vários requisitos, incluindo idade mínima, domínio da língua portuguesa, escolaridade obrigatória e apresentação de um atestado médico que confirme aptidão física e psicológica para a atividade.
Antes do início da formação, os candidatos realizam uma prova de admissão que inclui uma componente física. Entre os testes previstos está uma corrida de 2.400 metros, que deve ser concluída num máximo de 14 minutos.
O curso tem 150 horas de duração e é realizado através das Escolas de Formação de Nadadores-Salvadores Profissionais certificadas pelo ISN. A formação inclui técnicas de salvamento, socorrismo, enquadramento legal da profissão e conhecimentos sobre praias, ondas, marés e correntes.
Certificação abre caminho ao trabalho
Após concluírem a formação, os candidatos realizam o Exame Específico de Aptidão Técnica (EEAT), uma prova que inclui 50 metros de natação combinados com exercícios de salvamento. Só depois da aprovação é atribuída a certificação profissional.
O investimento no curso pode variar entre 200 e 350 euros, dependendo da escola escolhida. A formação costuma decorrer em regime intensivo e pós-laboral, podendo ser concluída num período entre um e dois meses, permitindo a entrada no mercado de trabalho antes do início da época balnear.
Salários variam consoante a região
Não existe uma tabela salarial nacional para os nadadores-salvadores. Os valores são definidos pelas autarquias ou pelos concessionários responsáveis pelas praias e podem variar em função da localização, da procura e da dificuldade de recrutamento.
Acrescenta o Ekonomista que o salário médio estimado para a profissão ronda os 1.030 euros mensais, de acordo com dados do portal de emprego Jobted para 2026. Contudo, importa destacar que estes valores não correspondem a dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística ou da Pordata para esta atividade.
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