Uma imagem de um teste do Instituto Politécnico de Setúbal começou a circular nas redes sociais e rapidamente gerou polémica. Em causa estão referências usadas num enunciado de avaliação, com expressões como “Cheguei Chegando” e “André Aventuras”, que vários utilizadores associaram ao Chega e ao seu líder.
De acordo com o Polígrafo, que contactou o estabelecimento de ensino, o documento corresponde a um enunciado da unidade curricular de Direito do Trabalho, do curso de Gestão de Recursos Humanos da Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal.
Instituição confirma enunciado
Questionado pelo Polígrafo, o Instituto Politécnico de Setúbal confirmou que o teste é real e pertence à unidade curricular identificada. A instituição, contudo, fez questão de se demarcar do conteúdo.
“O IPS não se revê no conteúdo em causa, que não traduz os princípios nem os valores que orientam a sua prática pedagógica”, afirmou o Politécnico, em resposta enviada ao Polígrafo. A confirmação afasta a hipótese de se tratar de uma montagem ou de um documento falso, mas deixa claro que a instituição não assume o teor do enunciado como representativo da sua orientação pedagógica.

Referências geraram críticas nas redes sociais
A imagem tornou-se viral devido às referências presentes no teste. No enunciado surgia um partido fictício de extrema-direita chamado “Cheguei Chegando” e uma personagem identificada como “André Aventuras”.
As alusões foram interpretadas por muitos utilizadores como referências indiretas, mas facilmente associáveis, ao Chega e a André Ventura. A polémica acabou por chegar também ao plano político. André Ventura reagiu publicamente ao caso, considerando o conteúdo um exemplo de “doutrinação política nas escolas” e defendendo que situações deste género “têm de acabar”.
Caso está a ser analisado internamente
O Instituto Politécnico de Setúbal informou ainda que a situação foi analisada internamente e enquadrada à luz dos seus valores institucionais. Segundo a resposta citada pelo Polígrafo, foram desencadeados os procedimentos necessários para o devido esclarecimento. Para já, a instituição não detalhou que medidas concretas poderão resultar dessa análise. O caso mantém-se, assim, sob apreciação interna, depois de ter ganhado dimensão pública através das redes sociais.
Debate sobre exemplos usados em contexto académico
A polémica reacende a discussão sobre os limites da liberdade pedagógica e o uso de exemplos ficcionais em avaliações académicas. Em disciplinas como Direito do Trabalho, é habitual recorrer a casos práticos para testar a aplicação de normas jurídicas a situações concretas.
Neste caso, porém, os nomes e expressões escolhidos foram lidos como referências políticas diretas, o que levou a críticas sobre eventual falta de neutralidade no contexto de avaliação. O IPS confirmou a autenticidade do enunciado, mas sublinhou que não se revê no conteúdo e que o caso está a ser esclarecido internamente.
Polémica continua nas redes
A imagem continua a ser partilhada e comentada, dividindo opiniões entre quem considera o enunciado inadequado e quem defende que o caso deve ser avaliado no seu contexto académico. Para já, há três pontos confirmados: o teste é real, pertence ao Instituto Politécnico de Setúbal e a própria instituição diz não se rever no conteúdo. Segundo o Polígrafo, o IPS garante que já desencadeou os procedimentos necessários para esclarecer a situação.
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