O interior de Portugal continental deverá registar aguaceiros e trovoadas localizadas durante a tarde desta segunda-feira, 22 de junho. A instabilidade atmosférica será mais provável a partir do início da tarde, podendo intensificar-se entre as 15h e as 19h em várias zonas do Norte, Centro e Alto Alentejo.
De acordo com a Meteored, a situação está associada a uma depressão isolada em altitude, também conhecida como gota fria, situada a oeste de Portugal continental. O contraste entre o ar frio em altitude e o ar quente à superfície favorece a formação de nuvens de desenvolvimento vertical.
Gota fria aumenta instabilidade
A presença desta gota fria no Atlântico deverá ajudar Portugal a escapar ao núcleo mais extremo de calor, que será empurrado sobretudo para Espanha, França e outros países europeus. Ainda assim, o país continuará sob temperaturas elevadas em várias regiões.
Ao longo da tarde, a instabilidade poderá dar origem a aguaceiros dispersos, trovoadas e, de forma pontual, queda de granizo. O relevo montanhoso de algumas zonas também poderá reforçar a formação destas células convectivas.
Os fenómenos deverão ser localizados e irregulares. Isto significa que uma localidade pode registar trovoada e aguaceiros, enquanto outra relativamente próxima pode ficar praticamente sem precipitação.
Distritos com maior probabilidade
A partir das 15h, deverão começar a formar-se nuvens de desenvolvimento vertical no interior Norte e Centro, com possibilidade de extensão pontual ao Alto Alentejo.
Os distritos com maior probabilidade de registar aguaceiros e trovoadas são Vila Real, Viseu, Bragança, Guarda, Castelo Branco e Portalegre. Algumas áreas de outros distritos do Norte e Centro também poderão ser afetadas de forma pontual.
Segundo os mapas de referência da Meteored, a atividade elétrica deverá ganhar maior expressão entre as 15h e as 19h, à medida que as células se deslocarem para leste e sul.
Pode haver granizo, mas pouca chuva
Apesar do risco de aguaceiros e trovoadas, os acumulados de precipitação deverão ser baixos. A baixa humidade ambiental, geralmente inferior a 50%, poderá limitar a quantidade de chuva que chega ao solo.
Em muitos locais, os valores acumulados poderão ser residuais ou praticamente nulos. Pontualmente, poderão somar apenas 1 ou 2 milímetros.
Mesmo assim, a possibilidade de queda ocasional de granizo não está excluída. Também poderá ocorrer atividade elétrica frequente em algumas células de trovoada.
Trovoada seca preocupa pelo risco de incêndio
Um dos principais riscos desta situação é a chamada trovoada seca. Este fenómeno ocorre quando há descargas elétricas, mas pouca ou nenhuma precipitação chega à superfície.
A preocupação aumenta porque os distritos onde a trovoada é mais provável coincidem com áreas onde o perigo de incêndio rural é muito elevado ou máximo. É o caso de vários concelhos em Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda, Castelo Branco e Portalegre.
Nestes cenários, os raios podem provocar ignições em zonas secas, sobretudo se a chuva for insuficiente para humedecer o solo e a vegetação.
Calor continua em várias regiões
Além da instabilidade, o calor continua a marcar o estado do tempo. O IPMA emitiu aviso amarelo de tempo quente para vários distritos, incluindo Viana do Castelo, Braga, Porto, Viseu, Coimbra, Castelo Branco, Santarém, Portalegre, Évora, Setúbal e Beja.
Nos distritos de Vila Real, Bragança e Guarda, o aviso é laranja devido à persistência de temperaturas máximas muito elevadas. Em várias localidades destas regiões, os termómetros poderão ultrapassar facilmente os 36 ºC e aproximar-se dos 42 ºC.
A combinação de calor, baixa humidade, trovoadas localizadas e risco de incêndio exige atenção especial durante a tarde. A recomendação é acompanhar os avisos oficiais, evitar comportamentos de risco em espaços rurais e procurar abrigo caso surjam trovoadas nas proximidades.
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