Uma nova tempestade atlântica de grande intensidade está a desenvolver-se no Atlântico Norte e deverá afectar de forma significativa várias regiões da Europa Ocidental nos próximos dias. O sistema depressivo, que poderá gerar rajadas próximas dos 180 quilómetros por hora, está a ser acompanhado com especial atenção devido ao seu potencial destrutivo, sendo já descrito como um dos episódios mais intensos do século XXI, dependendo da sua trajetória final. Portugal ficará fora do núcleo mais severo, mas deverá ainda assim sentir alguns dos seus efeitos.
De acordo com o Luso Meteo, site especializado em meteorologia e análise de fenómenos extremos, a tempestade resulta de um processo de cavamento rápido, associado a uma ciclogénese explosiva, com uma queda muito acentuada da pressão atmosférica.
Este tipo de evolução favorece vento muito forte, ondulação significativa e precipitação intensa, sobretudo nas áreas mais próximas do centro da depressão.
Canal da Mancha no centro da tempestade
Os cenários actuais apontam para uma trajectória que deverá levar o núcleo da depressão a cruzar o Canal da Mancha, afetando principalmente o norte de França e o sudoeste de Inglaterra.
A incerteza quanto à posição exata do centro do sistema mantém-se, mas pequenas variações poderão determinar se os ventos mais severos permanecem sobre o mar ou atingem zonas costeiras densamente povoadas.
Em terra, os modelos de alta resolução admitem rajadas superiores a 150 km/h em alguns pontos, com valores potencialmente mais elevados em zonas expostas. Em mar aberto, os ventos poderão ultrapassar esse limiar, acompanhados por ondas muito elevadas e risco de galgamentos costeiros.
Neve, chuva e impacto no dia a dia
Para além do vento, esta tempestade deverá trazer precipitação intensa a várias regiões da Europa Ocidental.
No Reino Unido, em particular, estão previstos episódios de neve significativa, inclusive a cotas muito baixas, com possibilidade de acumulações pouco comuns nas últimas décadas em Inglaterra central e no País de Gales.
A conjugação de vento forte, neve e temperaturas baixas poderá originar condições de blizzard, com impacto relevante na circulação rodoviária, ferroviária e aérea. As autoridades locais deverão reforçar avisos e medidas preventivas à medida que a tempestade se aproxima.
O que muda em Portugal Continental
Portugal deverá ficar afastado do eixo principal desta depressão, mas não totalmente imune aos seus efeitos. A passagem de frentes associadas ao sistema irá provocar períodos de chuva, sobretudo nas regiões Norte e Centro, entre o final da semana e o início da próxima.
O vento irá soprar de sudoeste, por vezes forte nas terras altas e zonas costeiras a norte do Cabo Carvoeiro, com rajadas que poderão atingir valores elevados, embora dentro do que é considerado normal para episódios invernais mais activos.
A agitação marítima também irá aumentar, com ondas entre três e cinco metros na costa ocidental a norte.
Um episódio intenso, mas sem cenário extremo em Portugal
Apesar da dimensão e intensidade da tempestade no contexto europeu, não são esperados impactos severos em Portugal. O sul do país deverá sentir poucos efeitos, com períodos mais secos e vento fraco a moderado, enquanto as temperaturas tendem a subir ligeiramente devido à circulação de sudoeste.
Segundo o Luso Meteo, o cenário para Portugal enquadra-se num padrão típico de Inverno atlântico, sem indícios de situações extremas ou fora do normal, ao contrário do que poderá acontecer em partes de França e do Reino Unido.
Ainda assim, recomenda-se o acompanhamento das previsões oficiais e dos avisos emitidos pelas autoridades meteorológicas nos próximos dias.
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