Após cerca de um mês marcado por chuva quase diária, frentes sucessivas e episódios associados a rios atmosféricos, Portugal continental prepara-se para viver o primeiro dia sem precipitação generalizada, com possibilidade de sol. A mudança de padrão atmosférico começa a ganhar consistência nos modelos meteorológicos e já há uma data apontada para essa viragem.
De acordo com o Meteored, site especializado em meteorologia, a persistência da instabilidade nas últimas semanas esteve ligada a um desvio acentuado da corrente de jato polar para latitudes mais a sul do que o habitual. Esse posicionamento favoreceu a passagem contínua de depressões atlânticas, responsáveis por acumulados significativos de precipitação em várias regiões do país.
Ao longo deste período, explica o site especializado, o território continental ficou exposto a sucessivas superfícies frontais e a massas de ar húmidas vindas do Atlântico, algumas reforçadas por rios atmosféricos carregados de vapor de água. O resultado foi uma sequência quase ininterrupta de dias cinzentos, com chuva persistente e, em certos momentos, intensa.
Mudança gradual no padrão atmosférico
Segundo o Meteored, os modelos apontam agora para uma reorganização da circulação atmosférica a partir do final da semana. O jato polar deverá ondular e deslocar-se progressivamente para latitudes mais setentrionais, permitindo uma subida em latitude do anticiclone dos Açores.
De acordo com a publicação, esta alteração não significa o desaparecimento total da instabilidade, mas representa uma quebra clara no padrão dominante. A influência anticiclónica deverá estender-se em crista até à Península Ibérica, reduzindo a exposição de Portugal às frentes atlânticas mais ativas.
A data apontada como o primeiro dia sem chuva generalizada coincide com o fim de semana, quando o anticiclone ganha maior robustez. Ainda poderão ocorrer aguaceiros residuais e muito localizados nas primeiras horas da manhã, sobretudo no Norte, mas a tendência será para tempo seco na maioria das regiões.
Sol, mas com vento e frio
Apesar da diminuição da precipitação, o cenário não será de estabilidade absoluta. O fluxo atmosférico tenderá a rodar para noroeste, associado a uma massa de ar mais frio. Isso poderá traduzir-se em vento moderado a forte em algumas zonas, particularmente no litoral e nas terras altas.
Segundo a mesma fonte, o aumento da intensidade do vento poderá agravar a sensação térmica de frio, mesmo com a presença de sol. Ainda assim, trata-se de uma mudança significativa face ao padrão das últimas semanas, dominado por chuva generalizada e céu encoberto.
Fim definitivo da instabilidade?
O Meteored sublinha que esta viragem representa uma reorganização da dinâmica atmosférica, mas não garante um período prolongado de tempo seco. A evolução dos centros de ação continuará dependente da posição do jato polar e da força do anticiclone.
Ainda assim, a quebra do chamado “comboio de tempestades” marca um momento relevante no panorama meteorológico recente. Depois de um mês sob influência quase constante de sistemas depressionários, Portugal continental poderá finalmente ter um dia amplamente soalheiro e sem chuva generalizada.
Para muitos, será o primeiro sinal de alívio após semanas de instabilidade. Para já, os modelos convergem nessa possibilidade. O sol pode regressar já nos próximos dias.
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