Prevê-se uma semana marcada por chuva persistente e acumulados de precipitação pouco habituais em Portugal Continental, com vários modelos meteorológicos a apontarem para valores equivalentes à média de um mês concentrados em apenas alguns dias. O cenário está associado à passagem de um rio atmosférico, que deverá afetar sobretudo o Norte e o Centro do país, aumentando o risco de cheias em vários cursos de água.
De acordo com o Luso Meteo, site especializado em meteorologia, este tipo de configuração atmosférica resulta de uma pluma de ar subtropical muito rica em humidade, canalizada para a Península Ibérica numa fase em que as altas pressões começam a ganhar alguma expressão no Atlântico.
Essa combinação cria condições para episódios prolongados de chuva contínua, por vezes intensa e com forte influência orográfica, sobretudo em zonas montanhosas.
A semana começa com uma aparente melhoria do estado do tempo, mas trata-se de uma trégua curta. A instabilidade mantém-se instalada e deverá reforçar-se de forma significativa a partir de terça-feira.
Primeiros dias com chuva mais fraca antes do agravamento
A segunda-feira deverá ser marcada por um ambiente húmido, com possibilidade de nevoeiros e alguma precipitação, sobretudo durante a madrugada. Segundo a mesma fonte, a chuva deverá ser em geral fraca ao longo do dia, mais frequente no Norte e Centro e mais espaçada no Sul.
As temperaturas mantêm-se acima da média para a época, um fator que ganha relevância no contexto hidrológico, já que pode contribuir para o degelo em zonas de maior altitude, aumentando os caudais dos rios antes mesmo dos períodos de chuva mais intensa.
Terça e quarta-feira concentram os maiores acumulados
É entre terça e quarta-feira que a situação meteorológica se torna mais crítica. Segundo explica o Luso Meteo, a precipitação deverá tornar-se persistente e por vezes forte, sobretudo nas regiões Norte e Centro.
Em apenas dois dias, os acumulados poderão atingir valores entre 100 e 150 litros por metro quadrado, com picos superiores em áreas montanhosas e zonas expostas à circulação de oeste e sudoeste.
O vento deverá intensificar-se gradualmente, passando de moderado a moderado forte, enquanto as temperaturas sobem de forma significativa. Em alguns locais, os termómetros poderão ultrapassar os 21 ou 22 graus, um cenário pouco comum para fevereiro e que contribui para agravar o risco de cheias rápidas.
Rios sob vigilância apertada
Os especialistas estão particularmente atentos à evolução dos rios Minho, Douro, Vouga, Mondego e Tejo. A combinação de chuva intensa, solos já saturados e contributo adicional do degelo aumenta a probabilidade de subidas rápidas dos níveis da água.
Nos rios mais a Sul, a situação poderá ser menos crítica, mas tudo dependerá da distribuição final da precipitação. Segundo a publicação, mesmo nestas regiões não se pode excluir a ocorrência de situações localizadas de cheia, caso os episódios previstos se confirmem com a intensidade atualmente modelada.
Sexta-feira pode trazer novo episódio relevante
Após uma quinta-feira que poderá funcionar como um período de transição, com alguma diminuição da precipitação e ligeira descida das temperaturas, a sexta-feira volta a merecer atenção especial. As previsões apontam para a aproximação de uma nova depressão mais próxima do território continental, trazendo novamente chuva e vento mais intenso.
Embora ainda exista alguma incerteza quanto à evolução exata desse sistema, o sinal dominante continua a apontar para mais um episódio relevante de precipitação.
Fim de semana com sinais de mudança, mas sem garantias
O fim de semana poderá trazer alguma melhoria, sobretudo a Sul, onde se espera tempo mais seco. No Norte e Centro, a humidade poderá persistir. De acordo com o Luso Meteo, há sinais de uma tentativa de instalação do anticiclone sobre a Península Ibérica, o que poderia marcar o início de um período mais estável.
Ainda assim, os modelos continuam a oscilar e não há garantias de que essa mudança venha para ficar. Para já, a semana que se aproxima deverá manter Portugal sob forte influência atlântica, com vários dias de chuva persistente e risco acrescido de cheias em alguns rios.
















