Uma nova depressão poderá evoluir para gota fria no início da próxima semana e trazer chuva, trovoada e possível granizo a várias regiões de Portugal continental. Os modelos meteorológicos apontam para o regresso da precipitação a partir de segunda-feira, ainda que com elevada incerteza quanto à distribuição exata.
Após a precipitação prevista para dia 27 no Norte e Centro, o tempo estável deverá dominar até domingo, 1 de março. No entanto, os mapas mais recentes já indiciam uma alteração na circulação atmosférica que poderá marcar o início da próxima semana.
Fim do tempo seco tem data marcada
De acordo com o portal especializado em meteorologia Meteored, a corrente de jato polar continuará a apresentar um comportamento sinuoso, algo típico de uma fase de transição sazonal.
No norte da Europa deverá instalar-se uma depressão cavada, responsável por encaminhar uma frente fria em direção à fachada ocidental da Península Ibérica.
Segundo explica o site, a interação entre essa frente fria, ar mais frio em altitude de origem polar e a presença de ar mais quente e húmido a sul poderá favorecer o aprofundamento de um centro de baixas pressões. Esse núcleo poderá evoluir para uma depressão isolada em altitude, comummente designada por gota fria.
Segunda-feira pode marcar a viragem
O Meteored antecipa que, a partir do final da madrugada ou início da manhã de segunda-feira, 2 de março, a frente fria deverá entrar pelo litoral Norte e Centro, estendendo progressivamente a precipitação às restantes regiões.
Entre a manhã e o meio da tarde de segunda-feira prevê-se um aumento da instabilidade, com aguaceiros que poderão ser acompanhados de trovoada e, pontualmente, granizo.
De acordo com a mesma fonte, o carácter da precipitação deverá ser irregular, alternando entre períodos secos e episódios mais intensos.
Entre o final da tarde de segunda e a madrugada de terça-feira, os modelos continuam a indicar a possível formação da gota fria, cujo centro poderá posicionar-se entre o Cabo de São Vicente e o norte de Marrocos.
Onde pode chover mais
Na terça-feira, a incerteza aumenta significativamente, uma vez que a trajetória destas depressões isoladas em altitude tende a ser errática.
Ainda assim, os mapas mostram maior probabilidade de aguaceiros durante a madrugada e manhã, sobretudo nas regiões a norte da Serra da Estrela, mas também na Grande Lisboa, Península de Setúbal, litoral alentejano e Barlavento Algarvio.
Existe igualmente a possibilidade de queda de neve nos pontos mais elevados da Serra da Estrela, caso as condições térmicas o permitam.
Quanto pode acumular
Relativamente aos valores de precipitação acumulada, o Meteored sublinha que é difícil apresentar números definitivos nesta fase. A natureza caótica deste tipo de sistemas implica revisões frequentes dos modelos.
Ainda assim, os cenários atuais sugerem acumulados entre 5 e 20 milímetros em qualquer ponto do território continental. As regiões que, neste momento, surgem com maior probabilidade de registar valores próximos dos 20 milímetros incluem a Grande Lisboa, Península de Setúbal, Região Norte com exceção do distrito de Bragança, Beira Alta, Beira Baixa e zonas fronteiriças do Alentejo com Espanha.
Os próximos dias serão decisivos para confirmar a trajetória final da depressão. Até lá, o cenário mais provável aponta para um início de semana marcado por instabilidade atmosférica, depois de um fim de semana ainda dominado por tempo seco.
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