A intrusão de poeiras do Saara em Portugal continental é o fenómeno meteorológico que está a marcar esta semana, trazendo consigo temperaturas elevadas, pior qualidade do ar e a possibilidade de um cenário pouco habitual: a chamada “chuva de lama”.
Este episódio resulta da presença de uma depressão atmosférica situada a noroeste da Península Ibérica, que tem favorecido a entrada de ar quente e seco vindo do Norte de África. Esse fluxo de sul está a transportar poeiras em suspensão até ao território nacional, de acordo com a Meteored.
Temperaturas acima do normal para abril
A massa de ar tropical continental fez subir os termómetros para valores pouco comuns nesta altura do ano. Em várias regiões, especialmente nos vales do Douro, Tejo, Sado e Guadiana, as máximas aproximaram-se dos 30 graus.
Estes valores representam uma anomalia significativa para o mês de abril, contribuindo para dias mais quentes e secos do que o habitual em grande parte do país.
Poeiras do Saara agravam qualidade do ar
Além do calor, a presença de poeiras em suspensão tem impacto direto na qualidade do ar. Este cenário pode representar riscos acrescidos para grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
De acordo com o Copernicus Atmosphere Monitoring Service (CAMS), o pico de concentração destas partículas ocorreu na passada terça-feira, mas o fenómeno deverá prolongar-se até sábado, ainda que com variações de intensidade.
Quarta-feira traz alívio temporário
A previsão aponta para uma diminuição significativa das poeiras já esta quarta-feira, de acordo com a mesma fonte. Esta melhoria está associada à mudança na circulação atmosférica, com o vento de oeste a tornar-se dominante. Essa alteração deverá dispersar as partículas para outras regiões da Europa, permitindo também a entrada de ar mais fresco em Portugal continental.
Quinta-feira volta a complicar o cenário
No entanto, o alívio será de curta duração. A partir de quinta-feira, o vento deverá voltar a soprar de sul no interior, trazendo consigo uma nova massa de poeiras do Saara. Ao mesmo tempo, prevê-se o aumento da instabilidade atmosférica, com formação de nuvens de desenvolvimento vertical, que poderão originar aguaceiros e trovoadas.
Onde a “chuva de lama” será mais provável
A combinação entre precipitação e poeiras em suspensão poderá dar origem à chamada “chuva de lama”. Este fenómeno ocorre quando as gotas de chuva capturam partículas de poeira, deixando resíduos visíveis nas superfícies.
As regiões com maior probabilidade de ocorrência são o interior Norte e Centro e o Alto Alentejo, incluindo distritos como Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda, Castelo Branco e Portalegre.
Sexta-feira ainda com instabilidade
Na sexta-feira, especialmente durante a tarde, poderão ocorrer aguaceiros localmente fortes, acompanhados de trovoada e rajadas de vento. Será também neste período que as poeiras ainda presentes poderão combinar-se com a precipitação, aumentando a probabilidade de “chuva de lama” nessas regiões do interior.
Fim de semana traz dissipação gradual
A partir de sexta-feira à tarde, a circulação atmosférica deverá mudar novamente, com a entrada de ar mais frio vindo do Atlântico Norte. Esta alteração, associada a ventos de noroeste, deverá contribuir para a dissipação progressiva das poeiras do Saara no território continental.
Probabilidade reduzida no 25 de abril
Apesar de ainda poderem existir algumas partículas em suspensão no sábado, a probabilidade de “chuva de lama” será bastante reduzida. Isto porque não se prevê precipitação significativa nesse dia, diminuindo a possibilidade de combinação entre poeiras e chuva.
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