Depois de vários dias dominados por tempo estável e seco em Portugal, os modelos meteorológicos começam a apontar para uma possível mudança no padrão atmosférico na segunda metade de março. Embora ainda exista alguma incerteza, alguns cenários indicam que uma depressão poderá aproximar-se de Portugal e provocar um regresso da instabilidade, com possibilidade de chuva intensa.
Os cenários meteorológicos começam a indicar uma possível alteração do regime atmosférico por volta de 17 ou 18 de março. O modelo europeu ECMWF, considerado um dos mais fiáveis para previsões de médio prazo, sugere o desenvolvimento de uma depressão a oeste da Península Ibérica, de acordo com o portal especializado em meteorologia Luso Meteo.
Se este cenário se confirmar, poderá abrir caminho a uma mudança na circulação atmosférica, com a possibilidade de o anticiclone se deslocar mais para norte e permitir a aproximação de sistemas de baixa pressão. Esta alteração poderá estar também relacionada com perturbações no jato polar e com a influência da divisão do vórtice polar, fatores que podem favorecer maior instabilidade atmosférica.
Modelos ainda mostram cenários diferentes
Apesar do sinal de mudança apresentado pelo ECMWF, os meteorologistas sublinham que ainda existe grande incerteza sobre a evolução desta situação. Algumas simulações continuam a indicar que a depressão poderá permanecer a oeste do território continental, o que poderia gerar um fluxo de sudeste sobre Portugal. Nesse cenário, o tempo poderia tornar-se mais quente e seco no continente, enquanto a instabilidade afetaria sobretudo as regiões insulares.
Outros modelos meteorológicos, como o GFS ou o ICON, apresentam evoluções diferentes para esta depressão, o que demonstra que os detalhes da previsão ainda podem sofrer alterações significativas nos próximos dias.
Instabilidade pode regressar ao continente
Mesmo com estas diferenças entre modelos, existe algum consenso quanto à possibilidade de uma mudança na circulação atmosférica após o dia 17 de março. Se a depressão se aproximar do território continental, poderão ocorrer períodos de aguaceiros mais intensos, sobretudo nas regiões do Centro e do Sul e nas zonas próximas do litoral, de acordo com a mesma fonte.
Chuva, trovoadas ou poeiras em suspensão a caminho de Portugal
Caso a depressão permaneça relativamente próxima de Portugal, poderão surgir episódios de chuva mais intensa e até trovoadas em algumas regiões. Se, por outro lado, o sistema se posicionar mais afastado do continente, poderá favorecer o transporte de poeiras provenientes do norte de África, fenómeno que já ocorreu em várias ocasiões ao longo deste mês.
Os especialistas consideram, neste momento, ligeiramente mais provável um cenário com precipitação, sobretudo devido ao possível deslocamento do anticiclone para latitudes mais altas, permitindo que as perturbações atlânticas circulem mais a sul.
Sinais de um regime mais instável na primavera
Alguns modelos de tendência a longo prazo sugerem que esta possível depressão poderá ser um dos primeiros sinais de um padrão meteorológico mais instável típico da primavera. Com o aumento da instabilidade atmosférica nesta época do ano, torna-se mais frequente o desenvolvimento de aguaceiros convectivos e trovoadas.
Previsões ainda podem mudar
Apesar destes sinais, a Luso Meteo alerta que as previsões para períodos superiores a uma semana podem sofrer alterações relevantes. A evolução da posição do anticiclone dos Açores, a interação com o jato polar e a trajetória final da depressão serão fatores decisivos para determinar o impacto real no estado do tempo em Portugal.
Até lá, a recomendação passa por aproveitar os próximos dias de maior estabilidade e acompanhar as atualizações das previsões meteorológicas para a segunda quinzena de março.
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