A depressão Francis deverá afetar Portugal continental entre o dia de hoje, 1 de janeiro, e domingo, 4 de janeiro, trazendo chuva por vezes forte, vento com rajadas e agravamento do estado do mar, numa mudança marcada face ao tempo seco e estável dos últimos dias. O IPMA confirma que Francis é o nome atribuído a esta depressão e que a precipitação deverá progredir de sul para norte, com intensificação do vento sobretudo nas regiões Centro e Sul.
De acordo com o comunicado do IPMA, o arranque de 2026 deverá, por isso, ficar marcado por uma sequência de frentes e linhas de instabilidade associadas à depressão, com chuva em vários períodos e vento por vezes forte no litoral e nas terras altas de Portugal continental. A evolução concreta (onde chove mais e quando) pode variar, mas a tendência de agravamento está identificada pelos serviços meteorológicos e por análises baseadas em modelos numéricos.
Dias mais críticos: o que se sabe para 1 a 4 de janeiro
Para 1 de janeiro, o IPMA antecipa precipitação a entrar pelo Sul e a avançar para Norte ao longo do dia, com reforço do vento, em especial no Centro e Sul e nas zonas expostas. É também nesta fase que se espera uma subida ligeira das mínimas em algumas regiões, associada à mudança de massas de ar e ao aumento de nebulosidade.
Já para sexta-feira, 2, e sábado, 3, vários cenários apontam para um período potencialmente mais adverso, com vento mais forte e precipitação mais frequente em parte do território. O Meteored, com base no modelo europeu, indica esses dois dias como os mais críticos e coloca o Centro e o Sul como áreas mais expostas, com maior destaque para o Algarve.
No domingo, 4 de janeiro, a instabilidade poderá começar a perder força, embora ainda possam ocorrer aguaceiros em algumas zonas, sobretudo a sul do Tejo, dependendo do posicionamento final do centro depressionário e da “limpeza” do ar frio em altitude. Este é, tipicamente, o tipo de detalhe que tende a ajustar-se nas atualizações mais próximas da data.
Zonas mais afetadas: Algarve, litoral e terras altas sob maior atenção
Quanto à geografia do impacto, a mensagem comum é de maior probabilidade de precipitação relevante no Sul e no Centro, sem excluir episódios localmente intensos noutros pontos. A análise publicada pelo Meteored refere acumulados mais elevados em distritos como Faro, Santarém, Lisboa e Guarda, sublinhando que a trajetória e o transporte de humidade podem favorecer esses territórios.
Segundo o Meteored, os avisos meteorológicos emitidos pelo IPMA (por distrito) apontam, em vários locais, para risco de vento forte e precipitação, além de agitação marítima, o que aumenta a necessidade de atenção no litoral e nas zonas de maior altitude. Em Faro, por exemplo, surgem avisos amarelos associados a vento e a evento costeiro em janelas específicas entre 1 e 3 de janeiro.
Há ainda a possibilidade de neve nos pontos mais elevados da Serra da Estrela, sobretudo se a bolsa de ar frio em altitude coincidir com precipitação e com temperaturas suficientemente baixas. Este tipo de cenário é sensível a pequenas variações de temperatura e à altitude da cota de neve, pelo que deve ser acompanhado através das atualizações oficiais.
Porque há incerteza e o que deve acompanhar
Os meteorologistas explicam que sistemas depressionários com ar frio em altura e linhas de instabilidade podem gerar precipitação muito irregular e localizada: pequenas alterações de trajetória mudam onde se formam núcleos mais ativos e onde o vento acelera mais. É por isso que, mesmo com tendência clara de agravamento, as previsões de detalhe (hora a hora e “rua a rua”) podem oscilar.
Na prática, a recomendação é acompanhar os avisos e a previsão do IPMA, sobretudo se tiver deslocações na faixa costeira, atravessamentos em zonas expostas ao vento, ou atividades em áreas montanhosas. Em situações de aviso, o risco maior costuma estar associado a quedas de ramos/estruturas, lençóis de água, visibilidade reduzida e mar agitado.
Se a passagem de ano ou os primeiros dias de 2026 incluírem viagens, vale a pena planear com margem: confirmar avisos no próprio dia, ajustar horários quando possível e evitar zonas costeiras expostas durante períodos de ondulação mais significativa. A evolução da depressão Francis deverá continuar a ser atualizada ao longo das próximas horas e dias, à medida que a trajetória se define.
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