A tempestade Emilia vai trazer de volta o verdadeiro inverno a Portugal a partir desta sexta-feira. Chuva intensa, vento forte e ondulação muito expressiva serão os principais protagonistas deste episódio meteorológico, que começa na Madeira e se estende depois ao Continente.
De acordo com o Meteored, site especializado em metereologia, a depressão, batizada pela AEMET, desloca-se de sul para sudoeste, provocando impactos que vão desde a agitação do mar até à descida generalizada das temperaturas.
Chuva intensa, neve nas serras e mar muito agitado
No Continente, sexta-feira será o dia mais crítico, com céu muito nublado e períodos de chuva ou aguaceiros, por vezes fortes, sobretudo nas regiões Centro e Sul.
As temperaturas máximas deverão rondar os 10 a 13 graus na maior parte do território, mesmo em zonas de baixa altitude, criando um ambiente tipicamente invernal. O IPMA admite valores ligeiramente superiores, até cerca de 15 graus, em alguns distritos. Acima dos 1400 a 1600 metros, a precipitação será em forma de neve, podendo a cota descer temporariamente para cerca de 1200 metros no Norte.
O vento será em geral fraco a moderado de sul, intensificando-se nas terras altas e aumentando o desconforto térmico. Na faixa costeira ocidental, a ondulação proveniente do quadrante noroeste deverá variar entre 4 e 6 metros, com alturas máximas próximas dos 11 metros.
Apesar de a forte agitação marítima não estar diretamente ligada à Emilia, deverão vigorar avisos laranja por agitação marítima em 10 distritos do Continente, enquanto na Madeira será emitido aviso vermelho para a costa norte e Porto Santo. Estes avisos manter-se-ão pelo menos até à tarde de sábado.
Madeira em tensão com vento muito forte e ondas gigantes
É na Madeira que a Emilia se fará sentir com maior intensidade. Entre sexta-feira e sábado, o arquipélago enfrentará períodos de chuva forte, por vezes torrencial, com trovoadas e queda de granizo, aumentando o risco de cheias rápidas, inundações localizadas e constrangimentos em zonas inclinadas ou próximas de linhas de água.
As rajadas poderão atingir os 110 km/h nas extremidades leste e oeste da ilha, provocando atrasos ou cancelamentos de voos, queda de ramos e estruturas frágeis e dificuldades na circulação rodoviária. Nas regiões montanhosas, o vento poderá ser ainda mais intenso.
No mar, a ondulação de norte deverá situar-se entre 6 e 7,5 metros, podendo atingir máximos de cerca de 14 metros na costa norte e em Porto Santo. A situação justifica o aviso vermelho por agitação marítima e torna arriscada a permanência em molhes, pontões ou outras zonas costeiras expostas. Acima dos 1500 metros, é ainda provável a queda de neve, com acumulações que podem chegar aos 10 centímetros, fenómeno pouco habitual no arquipélago.
Do frio de sexta ao quase‑primaveril de domingo
Após a passagem da frente fria associada à tempestade, o anticiclone deverá reforçar-se sobre a Península Ibérica, afastando a instabilidade para sul. No sábado, o Continente terá um dia mais seco, com céu pouco nublado e apenas alguns aguaceiros residuais no sudoeste do Alentejo e no Algarve. As temperaturas máximas podem subir entre 4 e 8 graus face a sexta-feira, aproximando-se dos 18 aos 20 graus em cidades como Lisboa, Porto, Braga, Coimbra e Faro.
No domingo, o tempo deverá manter-se estável no Continente, com céu geralmente pouco nublado e ausência de precipitação na maioria das regiões. Nos Açores, o fim de semana será marcado pela passagem de uma frente entre sábado e domingo, trazendo períodos de chuva e subida das temperaturas. Na Madeira, o tempo melhora gradualmente, com diminuição da chuva, do vento e da agitação marítima, embora a ondulação continue significativa.
Segundo o Meteored, esta sequência ilustra bem a rápida oscilação do estado do tempo em Portugal: de uma sexta-feira marcadamente invernal para um fim de semana que, em muitas zonas do Continente, poderá quase recordar a primavera.
- Notícia atualizada às 18:37 de 12 de dezembro
















