Portugal continental viveu, nas últimas semanas, sucessivas ondas de calor que fizeram subir os termómetros a níveis pouco habituais. Junho terminou com temperaturas máximas recorde em várias regiões do país, tendo o mês sido classificado como “muito quente e muito seco” pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). No entanto, enquanto grande parte do território registava valores excecionais de calor e céu limpo, uma vila do centro do país foi surpreendida por um episódio atmosférico invulgar para esta altura do ano: caiu granizo.
A vila da Sertã, no distrito de Castelo Branco, registou trovoada e precipitação em forma de granizo no início da semana, conforme relatado pelo blogue André do Tempo. Num contexto meteorológico dominado pelo calor extremo, a ocorrência foi considerada uma exceção.
Termómetros em alta, mas não em todo o lado
De acordo com o IPMA, Portugal registou duas ondas de calor distintas durante o mês de junho. A primeira decorreu entre os dias 15 e 20, abrangendo 12 estações meteorológicas, e a segunda teve início a 27 de junho, prolongando-se até aos primeiros dias de julho. Na passada quarta-feira, cerca de 59% das estações encontravam-se em onda de calor.
O valor mais elevado foi registado em Mora, no distrito de Évora, onde os termómetros atingiram os 46,6 graus, um novo máximo absoluto para o mês de junho em território continental, escreve o Diário de Notícias.
A surpresa da Sertã
Segundo o blogue André do Tempo, foi na Sertã que se verificaram trovoadas acompanhadas de queda de granizo, fenómeno raro numa altura do ano em que as temperaturas se mantêm elevadas na maioria das regiões. O episódio ocorreu numa altura em que o IPMA alertava para a persistência de condições secas e temperaturas acima do normal.
Uma paisagem moldada por contrastes
A Sertã localiza-se no coração da região Centro, integrada no distrito de Castelo Branco. Rica em património histórico e paisagístico, a vila é rodeada por pontes filipinas, igrejas centenárias, sítios arqueológicos e zonas naturais com destaque para o Rio Zêzere e a Albufeira de Castelo do Bode, como refere o Turismo do Centro de Portugal.
Granizo em tempo de seca
Enquanto a Sertã enfrentava um episódio pontual de instabilidade atmosférica, o restante território registava valores médios de temperatura superiores ao habitual. De acordo com o IPMA, a temperatura média do ar em junho situou-se 2,14 graus acima do valor normal. Já a temperatura máxima média foi 2,87 ºC superior ao esperado, e a mínima registou um acréscimo de 1,40 graus.
A precipitação também ficou aquém do habitual. Conforme a mesma fonte, junho foi o quarto mês mais seco dos últimos 94 anos, com apenas 20% da precipitação média registada, provocando situações de seca meteorológica fraca no noroeste do país e no Sotavento algarvio.
Efeitos do calor no território
O calor extremo teve impacto também ao nível da saúde pública. Durante o período de alerta, que começou no sábado anterior, registaram-se 69 óbitos em excesso, maioritariamente entre pessoas com mais de 85 anos, segundo dados preliminares da Direção-Geral da Saúde, citados pelo Diário de Notícias.
Entre o sol e o gelo
O contraste entre o que se viveu na Sertã e no resto do país sublinha a diversidade climática de Portugal continental. Enquanto a maioria das localidades enfrentava os efeitos de uma onda de calor prolongada, esta vila do centro do país foi palco de um fenómeno que, embora passageiro, serviu de lembrete da variabilidade do clima.
Leia também: Milhares de portugueses em ‘grande risco’: se o seu código do cartão Multibanco estiver nesta lista, altere-o já
















