Lisboa tem registado cada vez mais queixas relacionadas com lixo espalhado na via pública, depois de algumas pessoas remexerem em contentores e papeleiras à procura de embalagens abrangidas pelo sistema Volta, que permite receber dez cêntimos por unidade devolvida. A situação tem sido relatada sobretudo em zonas com maior concentração de bares, restaurantes, turistas e vida noturna.
De acordo com a RTP, moradores e juntas de freguesia têm recebido reclamações em áreas como o Cais do Sodré, o Príncipe Real, o Chiado e o Bairro Alto. Em causa está a procura de garrafas e outras embalagens que podem ser devolvidas através do sistema Volta, permitindo receber dez cêntimos por unidade. A Câmara Municipal de Lisboa diz estar a acompanhar a situação e admite avaliar medidas para reduzir os impactos na higiene urbana.
Moradores queixam-se de lixo espalhado
O problema tem sido sentido sobretudo em ruas onde já existe maior pressão sobre a limpeza urbana. Moradores relatam contentores remexidos, sacos abertos e resíduos deixados no chão, muitas vezes junto às entradas dos prédios. A situação agrava o desconforto de quem vive em zonas onde o movimento noturno e turístico já produz uma quantidade elevada de lixo.
Ouvida pela rádio pública, Fabiana Pavel, do movimento Morar em Lisboa, afirma que estas pessoas “mexem nos caixotes e muitas vezes o lixo fica depois no chão”. “O que numa área que é já um problema, fica ainda mais problemática”, acrescenta. A moradora do Bairro Alto considera ainda que esta procura não envolve apenas pessoas em situação de sem-abrigo, mas também cidadãos em condições económicas mais frágeis, que veem no reembolso das embalagens através do sistema Volta uma forma de obter algum rendimento.
Numa resposta escrita enviada à RTP, a Câmara Municipal de Lisboa reconhece que está ciente da situação e que tem acompanhado os episódios registados em vários pontos da cidade. A autarquia confirma que, “em alguns casos, contentores e papeleiras são remexidos ou mesmo despejados na via pública por pessoas que procuram embalagens abrangidas pelo sistema Volta, com o objetivo de obter o respetivo reembolso”.
Câmara admite avaliar medidas
A autarquia sublinha que o “Sistema de Depósito e Reembolso representa um instrumento importante para aumentar a recolha e a reciclagem de embalagens, contribuindo para os objetivos de sustentabilidade ambiental”. Ainda assim, reconhece que “se trata de uma medida ainda numa fase inicial de implementação, em que é expectável existir um período de adaptação por parte da população e dos diferentes intervenientes”.
A Câmara de Lisboa garante que vai “continuar a monitorizar a evolução desta situação, em articulação com as entidades responsáveis pelo sistema Volta, avaliando a necessidade de adotar medidas que minimizem os impactos na higiene urbana e no espaço público”. O objetivo, segundo a autarquia, é “garantir que os benefícios ambientais do sistema não sejam comprometidos por efeitos indesejados na limpeza e na qualidade do espaço público”.
O município defende que os benefícios ambientais do sistema não devem ser comprometidos por efeitos indesejados na limpeza das ruas. Para já, a situação continuará a ser acompanhada, sobretudo nas zonas mais pressionadas pela vida noturna, turismo e grande produção de resíduos.













