Manter um veículo automóvel em Portugal já exige um esforço financeiro superior para milhares de condutores devido a uma subida generalizada nos custos de proteção. A certeza atual é que o seguro do carro vai ficar mais caro durante as próximas renovações anuais das apólices de proteção automóvel. O encarecimento destes contratos obrigatórios não se aplica de forma igualitária a todos os cidadãos, existindo disparidades evidentes nas idades e nas regiões mais afetadas.
Os condutores com idades compreendidas entre os 25 e os 29 anos e os residentes nos distritos do interior do país vão suportar os aumentos mais severos, avança o jornal SOL. O estudo de mercado que sustenta estes dados foi conduzido pela Mudey, uma empresa mediadora de seguros portuguesa que atua num formato totalmente digital.
A avaliação incidiu sobre apólices renovadas entre o mês de outubro de 2025 e o mês de fevereiro de 2026. A conclusão central aponta para um aumento médio anual na ordem dos 11,4% nos contratos analisados por esta plataforma tecnológica. Os portugueses estão a desembolsar uma média de 344 euros por ano para manterem as suas viaturas protegidas, embora 77% consiga manter os valores abaixo da barreira dos 400 euros.
A penalização financeira dos mais jovens e dos seniores
Indica a mesma fonte que os jovens adultos na faixa etária dos 25 aos 29 anos sofrem uma penalização média de 16%. A falta de experiência de condução e o perfil de risco mais elevado justificam este agravamento considerável nas faturas exigidas pelas companhias de seguros. Os condutores com mais de 65 anos também não escapam a esta inflação e enfrentam aumentos que rondam os 15% no momento da renovação.
O impacto financeiro nas faixas etárias mais novas é agravado pelas escolhas no método de liquidação dos prémios anuais exigidos pelas companhias. Os jovens constituem o grupo demográfico que mais opta por fracionar os pagamentos em mensalidades ou trimestralidades para aliviar a carga no orçamento doméstico. Esta modalidade de pagamento faseado encarece o valor final do contrato e faz com que os aumentos também ascendam aos 16% nas faturas.
O contraste dos preços entre o litoral e o interior
O mapa geográfico de Portugal continental exibe assimetrias bastante vincadas no momento de calcular o risco associado à circulação de veículos motorizados. Os agravamentos contratuais são sentidos com maior intensidade nos distritos do interior do país, onde as subidas médias tocam a fasquia dos 15%. O distanciamento dos grandes centros urbanos da costa traduz-se num encargo adicional e superior para as famílias que residem nestes territórios mais isolados.
A realidade financeira vivida na faixa litoral apresenta contornos ligeiramente mais brandos para os proprietários de veículos ligeiros ou pesados. Explica a referida fonte que os aumentos nos distritos continentais banhados pelo oceano tendem a ficar muito próximos do valor da média nacional registada no estudo. O distrito de Aveiro ganha um lugar de destaque neste cenário regional ao apresentar o agravamento mais baixo de todos, com uma subida calculada em 9%.
A realidade atenuada nos arquipélagos portugueses
Os territórios insulares oferecem um panorama um pouco mais favorável para os residentes que necessitam de renovar as suas coberturas automóveis e circular nas vias locais. O mercado segurador aplica atualizações de preços bastante mais reduzidas aos habitantes das ilhas em comparação com os clientes radicados na zona continental. O arquipélago da Madeira regista uma subida calculada na ordem dos 9% para a generalidade dos condutores madeirenses.
A situação na Região Autónoma dos Açores revela-se ainda mais contida no que diz respeito ao esforço financeiro suplementar exigido aos condutores insulares. O agravamento médio focado na frota das nove ilhas açorianas não ultrapassa a barreira dos 7% no momento de atualizar o valor do prémio de proteção. Estas discrepâncias geográficas ilustram a forma complexa como as seguradoras avaliam o risco e a probabilidade de sinistro em diferentes ambientes rodoviários do país.
Os motivos ocultos por trás desta subida acentuada
A inflação geral do setor justifica-se com a evolução da sofisticação tecnológica dos automóveis modernos e com o consequente custo elevado das peças de reparação atualizadas. Existe contudo um fator menos percetível para o consumidor comum que tem ganho um peso determinante e crescente no cálculo das apólices anuais. O encarecimento sucessivo e progressivo da assistência em viagem atua como um dos principais motores desta escalada tarifária em todo o território nacional.
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