As praias portuguesas enfrentam cada vez mais desafios ligados às alterações climáticas e à chegada de espécies invasoras. Em algumas zonas do litoral, os efeitos já são visíveis no areal, no cheiro sentido pelos visitantes e até na gestão da época balnear. Em Cascais, uma situação que começou no ano passado voltou agora a repetir-se.
De acordo com a SIC Notícias, uma alga invasora voltou a aparecer na Praia da Poça, em Cascais, obrigando a novas operações de limpeza e levantando preocupações ambientais. O primeiro grande arrojamento deste ano aconteceu na madrugada de 14 de maio. O cheiro intenso provocado pelas algas sente-se ainda antes de chegar à praia. A espécie cobre parte do areal com uma tonalidade castanha e obriga a intervenções frequentes por parte das equipas de limpeza.
Mais de 3.000 toneladas retiradas
Segundo a mesma fonte, nos últimos dois anos já foram retiradas mais de 3.000 toneladas destas algas da Praia da Poça. A acumulação tem vindo a repetir-se desde 2024, altura em que Cascais começou a lidar de forma mais evidente com este fenómeno.
Os especialistas citados pela mesma fonte acreditam que a espécie invasora terá chegado agarrada a navios. A alga foi detetada pela primeira vez no mar Mediterrâneo em 2002, tendo depois começado a expandir-se para outras zonas costeiras.
Especialistas alertam para riscos ambientais
Além do impacto visual e do incómodo provocado pelo cheiro, os investigadores alertam para possíveis consequências ambientais. De salientar que existe preocupação relativamente à perda de biodiversidade marinha nas áreas afetadas.
A presença continuada destas algas poderá alterar o equilíbrio natural dos ecossistemas costeiros. Acrescenta a publicação que os especialistas associam a persistência do fenómeno às alterações climáticas e ao aumento da temperatura das águas.
Praia arrancou a época sem Bandeira Azul
A época balnear em Cascais começou oficialmente a 1 de maio, mas a Praia da Poça iniciou a temporada sem Bandeira Azul. De acordo com a SIC Notícias, a autarquia justifica a decisão com as obras previstas para o paredão e também com a presença da alga invasora.
Apesar disso, o município garante que a qualidade da água não está comprometida. Refere a mesma fonte que não existe risco para a saúde pública nem para os banhistas que frequentam a praia.
Um cenário que já tinha afetado o Algarve
O fenómeno não é exclusivo de Cascais. Situações semelhantes já tinham sido registadas no Algarve durante o ano passado, causando impacto na atividade turística em algumas praias da região. O regresso da alga à costa portuguesa está agora a aumentar a preocupação entre municípios e especialistas, sobretudo numa altura em que começa a época de maior afluência às zonas balneares.
As equipas municipais têm realizado operações regulares para remover as algas acumuladas no areal. Contudo, a chegada constante de novos arrojamentos torna o processo mais difícil e prolongado. Em alguns momentos, a quantidade de algas acumuladas obriga a intervenções rápidas para evitar maior degradação das condições da praia. Recorde-se que a situação tem sido acompanhada de perto pelas autoridades locais.
Alterações climáticas no centro das preocupações
Os especialistas consideram que fenómenos deste tipo poderão tornar-se mais frequentes. A combinação entre alterações na temperatura da água, circulação marítima e transporte involuntário de espécies invasoras é apontada como um dos fatores que contribuem para a expansão destas algas. A SIC Notícias refere que o problema deixou de ser apenas local e passou a representar uma preocupação nacional, sobretudo em zonas costeiras com forte pressão turística durante o verão.
Apesar da ausência de Bandeira Azul na Praia da Poça, o município de Cascais insiste que a água continua própria para banhos. As autoridades garantem que o problema está relacionado sobretudo com a presença física da alga no areal e não com contaminação da água. Com a chegada dos meses mais quentes, a evolução da situação será acompanhada pelas entidades locais, numa praia onde o cheiro das algas voltou a tornar-se parte do cenário antes mesmo de se avistar o mar.
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