Quem vive numa casa arrendada poderá voltar a pagar mais em 2027. A estimativa rápida relativa à inflação de agosto aponta para um coeficiente de atualização das rendas na ordem dos 2,56%, valor ligeiramente superior ao aplicado durante 2026. O número ainda não é definitivo. O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou a 31 de agosto a estimativa rápida do Índice de Preços no Consumidor (IPC), sendo que os dados finais relativos a agosto serão conhecidos a 10 de setembro.
É a variação média do IPC dos últimos 12 meses, excluindo a habitação, que serve de referência para determinar o coeficiente anual de atualização das rendas. Caso os 2,56% sejam confirmados, isso significa um acréscimo potencial de 2,56 euros por cada 100 euros de renda mensal.
Quanto pode aumentar uma renda de 500, 700 ou 1.000 euros?
O impacto depende diretamente do valor que o inquilino paga atualmente. Se o coeficiente final corresponder a uma atualização de 2,56%, os valores aproximados serão os seguintes:
| Renda atual | Aumento mensal | Nova renda |
|---|---|---|
| 500 € | 12,80 € | 512,80 € |
| 700 € | 17,92 € | 717,92 € |
| 1.000 € | 25,60 € | 1.025,60 € |
Assim, uma família que atualmente pague 500 euros poderá passar a entregar mais 153,60 euros por ano, considerando 12 meses completos com a nova renda. Numa renda de 700 euros, o acréscimo corresponderá a 17,92 euros por mês ou 215,04 euros num ano. Já quem pague 1.000 euros poderá enfrentar uma subida de 25,60 euros mensais, equivalente a 307,20 euros adicionais ao longo de 12 meses.
Estes cálculos são meramente indicativos e partem do pressuposto de que o coeficiente final corresponde efetivamente a 2,56% e de que o senhorio decide aplicá-lo na totalidade.
Aumento deverá ser superior ao aplicado em 2026
Caso se confirme, a atualização de 2027 será ligeiramente superior à permitida este ano. Em 2026, o coeficiente oficial de atualização das rendas foi de 1,0224, correspondente a uma subida de 2,24%. O valor consta da tabela oficial publicada no Portal da Habitação.
Isto significa que uma renda de 1.000 euros que pudesse ser atualizada pelo coeficiente de 2026 teria uma subida máxima de 22,40 euros. Com os 2,56% agora apontados para 2027, o acréscimo passaria para 25,60 euros. A diferença é de 3,20 euros por mês neste exemplo.
Os 2,56% ainda não são definitivos
Apesar de já permitir antecipar o que poderá acontecer às rendas no próximo ano, o valor conhecido nesta fase deve ser encarado como provisório. O INE indicou que os dados definitivos do IPC relativos a agosto serão divulgados em 10 de setembro de 2026.
Depois de apurado o valor final relevante para as rendas, o coeficiente anual será publicado em Diário da República, ficando então oficialmente definido o limite aplicável em 2027. Até lá, os 2,56% permitem antecipar o possível aumento, mas não devem ser tratados como o coeficiente oficial definitivo.
A renda aumenta automaticamente em janeiro?
Não. A existência de um novo coeficiente não significa que todas as rendas aumentem automaticamente assim que começa 2027. O Código Civil estabelece que, na ausência de uma regra diferente acordada por escrito entre as partes, a renda pode ser atualizada anualmente de acordo com o coeficiente em vigor.
A primeira atualização só pode ser exigida um ano depois do início do contrato. As seguintes podem ocorrer sucessivamente um ano após a atualização anterior. Assim, um contrato que ainda não tenha completado um ano não pode simplesmente sofrer a atualização anual por começar um novo ano civil.
Senhorio tem de avisar o inquilino
Também não basta ao proprietário começar a cobrar um valor superior. Segundo o artigo 1077.º do Código Civil, o senhorio deve comunicar por escrito ao inquilino o coeficiente que pretende aplicar e o novo valor da renda. Essa comunicação tem de ser feita com uma antecedência mínima de 30 dias.
Por exemplo, se uma renda de 700 euros for atualizada em 2,56%, o proprietário terá de comunicar que o novo valor passará para aproximadamente 717,92 euros e respeitar aquele prazo antes de começar a cobrá-lo. O senhorio pode também optar por não aplicar a atualização ou por aplicar uma subida inferior à permitida.
O que explica o possível aumento?
Os dados surgem num contexto de nova aceleração da inflação. Segundo a estimativa rápida divulgada pelo INE, a taxa de inflação homóloga terá aumentado para 3,3% em agosto, depois dos 3,0% registados em julho. O instituto explica que essa aceleração foi quase totalmente provocada pela subida dos combustíveis. Os produtos energéticos apresentaram uma variação homóloga estimada de 12,2%, contra 8,7% no mês anterior.
No entanto, não é diretamente a inflação homóloga de 3,3% que determina quanto poderão subir as rendas. Para este efeito é utilizada a média dos últimos 12 meses do IPC sem habitação, que aponta nesta fase para uma atualização de cerca de 2,56%. Assim, quem tenha uma casa arrendada deverá estar atento à confirmação dos dados do INE em setembro e, posteriormente, à publicação do coeficiente oficial que determinará quanto poderão ser atualizadas as rendas em 2027.
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