A meteorologia volta a surpreender. Depois da passagem da depressão Benjamin, que trouxe vento e chuva intensa, os novos modelos apontam agora para mais uma semana de instabilidade em Portugal continental, com apenas um curto intervalo de tréguas de um dia sem chover.
Nos últimos dias, o país tem estado sob a influência de sucessivas frentes atlânticas, associadas a centros de baixa pressão que se estendem do Atlântico Norte até à Rússia. Esta configuração tem canalizado rios de humidade em direção à Península Ibérica, responsáveis pelo tempo húmido, abafado e chuvoso que tem marcado o outono português.
A depressão Benjamin, que atravessou o território entre quarta e quinta-feira, foi apenas uma das várias formações a afetar o país nas últimas semanas. Ventos fortes e aguaceiros intensos atingiram sobretudo as regiões do Norte e do Centro, deixando os solos saturados e acumulados de precipitação elevados.
A chuva não vai dar tréguas
As previsões do modelo europeu ECMWF, consultadas pela Meteored, indicam que o tempo instável deverá prolongar-se até ao final de outubro. Apesar de um ligeiro acalmar no domingo, dia 26, o cenário global mantém-se dominado pela passagem de frentes sucessivas e por massas de ar húmido vindas do Atlântico.
Entre sexta-feira (24) e sábado (25), esperam-se novos períodos de chuva persistente, mais intensos no Norte e no Centro. No domingo, a precipitação deverá concentrar-se no Sul, com especial incidência no Baixo Alentejo e Algarve.
O que parecia um alívio temporário sem chover vai afinal durar pouco. Os mapas que há dias sugeriam uma melhoria repentina do tempo foram agora atualizados, revelando que a atmosfera continuará sob forte instabilidade durante praticamente toda a próxima semana.
Segunda-feira será a exceção
Se as previsões se confirmarem, segunda-feira, 27 de outubro, poderá ser o único dia sem chuva significativa em grande parte do território continental. Mesmo assim, os meteorologistas sublinham que o cenário é provisório e pode mudar com facilidade.
Segundo a Meteored, a ausência de precipitação neste dia será resultado de uma breve deslocação das frentes para leste e de uma janela de influência anticiclónica, curta mas suficiente para deixar o céu mais limpo. No entanto, essa pausa será passageira: logo a partir de terça-feira, uma nova depressão atlântica deverá aproximar-se do país.
O regresso dos ventos ábregos
A formação dessa nova depressão, a oeste de Portugal, trará de volta os chamados ventos ábregos, ventos húmidos e quentes do quadrante sudoeste que costumam provocar chuva intensa na fachada atlântica da Península Ibérica.
Esses ventos deverão começar a sentir-se na quarta-feira, dia 29, prolongando-se até ao final da semana. Alimentados por um novo rio atmosférico, uma corrente de ar saturado de humidade, poderão originar precipitação forte e persistente em todo o território.
De acordo com os meteorologistas, as regiões do Norte e Centro voltarão a ser as mais atingidas, embora também se esperem aguaceiros intensos no litoral alentejano e no Algarve.
Previsões com alguma incerteza
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) reforça que, por se tratar de uma previsão com alguma antecedência, há ainda margem de incerteza quanto à trajetória das frentes e à intensidade da chuva. Pequenas alterações na posição das depressões ou dos anticiclones poderão mudar significativamente o resultado final.
Ainda assim, o cenário geral é claro: o padrão atmosférico continuará dominado pelas baixas pressões e pela humidade trazida do Atlântico. Outubro deverá, assim, terminar como começou, molhado e ventoso.
Chuva, vento e temperaturas a descer
As temperaturas também deverão baixar gradualmente, em especial durante a noite, devido à entrada de massas de ar mais frias após a passagem das frentes. O vento aumentará de intensidade, com rajadas que poderão ultrapassar os 70 km/h em zonas costeiras e terras altas.
A instabilidade atmosférica vai manter-se até ao início de novembro, segundo os mapas mais recentes. Apesar de pequenas variações diárias, o padrão geral aponta para um fim de mês marcado por precipitação frequente e por ventos de sudoeste persistentes.
Esperança em novembro
Os meteorologistas admitem que o início de novembro poderá trazer alguma estabilização, à medida que o anticiclone dos Açores se reposiciona a oeste e corta o fluxo húmido vindo do Atlântico. Contudo, é cedo para garantir um cenário de tempo seco prolongado.
Para já, o conselho é claro: é melhor manter o guarda-chuva à mão e preparar-se para mais uma sequência de dias chuvosos. E se houver um momento ideal para secar a roupa, abrir as janelas ou planear atividades ao ar livre, será muito provavelmente na próxima segunda-feira, o único dia, segundo as previsões atuais, em que não vai chover ‘a potes’.
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