O país está sob pressão no contexto da implementação do novo sistema europeu de entradas e saídas nas fronteiras externas do Espaço Schengen, depois de ter suspendido temporariamente o mecanismo no aeroporto de Lisboa devido aos tempos de espera elevados. O modelo eletrónico, que recolhe dados biométricos de viajantes de países terceiros, tem sido apontado como potencial causa de filas que podem ultrapassar quatro horas. Por isso, se tiver de viajar a partir de qualquer aeroporto em Portugal, prepare-se para longas filas.
A Comissão Europeia prepara-se para pedir esclarecimentos ao Governo português sobre a decisão de desativar o sistema durante três meses no Aeroporto Humberto Delgado. A suspensão visa aliviar a pressão nos controlos, mas o mecanismo deverá voltar a entrar em funcionamento em breve.
Alerta europeu para o verão
De acordo com o portal de notícias Dinheiro Vivo, aeroportos e companhias aéreas europeias alertaram para o risco de perturbações no tráfego aéreo durante os meses de maior movimento, caso não sejam adotadas medidas urgentes. O Conselho Internacional de Aeroportos, a Airlines for Europe e a Associação Internacional de Transporte Aéreo enviaram uma carta ao comissário europeu para os Assuntos Internos e Migração.
Segundo a mesma fonte, as organizações avisam que poderão verificar-se “graves perturbações” e tempos de espera que podem atingir quatro horas ou mais, se não houver flexibilidade suficiente na aplicação do sistema.
O que está em causa
Sabe-se que o Sistema Eletrónico de Segurança foi concebido para substituir o tradicional carimbo de passaportes, passando a registar dados biométricos e informações de entrada e saída de viajantes de fora do espaço Schengen. O objetivo é monitorizar permanências irregulares e eventuais recusas de entrada.
Conforme a mesma fonte, a implementação gradual arrancou a 12 de outubro de 2025 nas fronteiras terrestres, marítimas e aeroportuárias, estando atualmente registados cerca de 35% dos visitantes de países terceiros, com a meta de atingir 100% até abril, no início da época alta do turismo.
Lisboa trava o sistema
Em Portugal, o Governo decidiu suspender o sistema eletrónico no aeroporto de Lisboa durante três meses, mantendo o controlo de entradas e saídas através do regime anterior, sem recolha de dados biométricos. A decisão surge após semanas marcadas por tempos de espera considerados excessivos. No entanto, os restantes aeroportos portugueses mantiveram o sistema em funcionamento.
Segundo a SIC Notícias, na semana do Natal os tempos de espera na imigração chegaram a ultrapassar as sete horas. Para responder à situação, foi anunciada a entrada imediata de militares da GNR para reforçar o controlo de fronteiras.
Reforços e críticas
De acordo com a SIC Notícias, os militares ainda necessitam de formação antes de entrarem ao serviço. O Sindicato da Polícia indica que apenas 1o militares serão destacados para o aeroporto, número considerado insuficiente para resolver o problema.
“Há riscos de segurança com esta suspensão. Ela visava dar uma segurança adicional, para pessoas que vinham de fora do espaço Schengen”, afirmou Bruno Pereira, do Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia.
Também a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia responsabiliza a ANA Aeroportos por não criar condições adequadas para o fluxo de passageiros em períodos de maior procura. Em resposta, a ANA considera as acusações irrealistas e sustenta que conflitos laborais têm prejudicado os passageiros.
















