O volfrâmio, também conhecido como tungsténio, voltou a ganhar peso estratégico num momento em que a Europa procura reduzir a dependência de países terceiros no acesso a matérias-primas críticas. Em Portugal, esse movimento volta a colocar no centro das atenções um recurso com longa tradição mineira e uma exploração que continua ativa na Beira Interior.
A União Europeia considera o tungsténio uma matéria-prima crítica e estratégica, sobretudo pela sua importância para a indústria, para tecnologias avançadas e para setores como a defesa e a aeronáutica. Ao mesmo tempo, Bruxelas reconhece que continua a existir forte dependência externa, em especial na fase de processamento, o que tem vindo a aumentar a pressão para reforçar a capacidade europeia.
Neste contexto, Portugal volta a surgir como um país relevante. Um estudo científico sobre a produção nacional recorda que o país foi um dos principais produtores europeus de volfrâmio durante mais de um século e que continua a ter recursos com potencial estratégico num quadro de maior procura e maior sensibilidade geopolítica.
Panasqueira continua a ser a grande referência nacional
Em Portugal, a principal exploração associada ao volfrâmio continua a ser a mina da Panasqueira, localizada na zona da Covilhã, na aldeia da Panasqueira. Segundo a Almonty, através da subsidiária Beralt Tin and Wolfram, a empresa detém 100% desta mina de estanho e tungsténio, cuja origem remonta ao século XIX e que permanece como uma das referências europeias neste segmento.
O peso da Panasqueira no contexto nacional continua a ser determinante. O mesmo estudo indica que, desde o início da década de 1990, a mineração de tungsténio em Portugal ficou essencialmente confinada a este depósito, que concentra cerca de 79% das reservas portuguesas identificadas.
Isto significa que, embora Portugal tenha outros pontos de interesse geológico, é a Panasqueira que sustenta hoje a posição nacional nesta matéria-prima. A relevância desta exploração ajuda a explicar porque razão o país continua a surgir nas análises europeias sobre autonomia estratégica em minerais críticos.
Há mais potencial além da produção atual
Apesar de a atividade estar hoje concentrada na Panasqueira, o potencial português não se esgota aí. O estudo científico sobre a produção de tungsténio em Portugal refere que depósitos como Borralha e Vale das Gatas poderão voltar a ganhar importância, dependendo da viabilidade económica, social e ambiental de futuros projetos.
Os autores apontam mesmo para um potencial de crescimento futuro, sublinhando que os recursos conhecidos em território nacional são superiores às reservas atualmente em exploração. Essa margem coloca Portugal numa posição interessante num momento em que a Europa tenta diversificar origens e proteger cadeias de abastecimento estratégicas.
Ainda assim, a expansão do setor não depende apenas da geologia. Tal como noutros minerais críticos, qualquer avanço está ligado a licenciamento, aceitação social, enquadramento ambiental e investimento industrial suficiente para transformar recursos conhecidos em produção efetiva. Essa é uma das razões pelas quais a discussão sobre matérias-primas críticas ganhou tanto peso no espaço europeu.
Portugal entra na conversa europeia, mas ainda com limites
A Comissão Europeia aprovou em março de 2025 vários projetos estratégicos ao abrigo do Regulamento das Matérias-Primas Críticas, mas em Portugal os projetos reconhecidos nessa fase foram ligados ao lítio e ao cobre, não ao tungsténio. Isso mostra que o país está no radar europeu para matérias-primas críticas, embora o volfrâmio nacional ainda não tenha tido o mesmo destaque nesse pacote inicial.
Mesmo assim, o papel português continua a ser relevante. A OCDE assinala que a região Centro acolhe uma das maiores minas de tungsténio da União Europeia, precisamente a Panasqueira, reforçando a importância nacional neste setor.
Num momento em que o volfrâmio volta a ser visto como um ativo estratégico, Portugal tem a vantagem de juntar tradição mineira, conhecimento acumulado e uma exploração ainda ativa. O desafio estará em perceber até que ponto o país conseguirá transformar essa base histórica numa oportunidade concreta para ganhar mais peso no abastecimento europeu de matérias-primas críticas.
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