O pai de Lara, a menina de oito anos morta na passada quarta-feira em Valpaços, falou pela primeira vez aos jornalistas e descreveu a dor que vive desde o crime. Carlos, pai da criança, disse que a manhã começou como tantas outras, sem qualquer sinal de que a filha não regressaria a casa.
Em declarações ao jornalista Luís Maia, do programa “Casa Feliz”, da SIC, o homem recordou que deu o pequeno-almoço à filha antes de esta sair para a escola. “Dei o pequeno-almoço à minha filha antes de ela ir para a morte”, afirmou, visivelmente abalado.
Manhã começou sem sinais de alarme
Segundo o relato feito à SIC, Carlos contou que a manhã de quarta-feira decorreu dentro da rotina habitual. Depois de preparar o pequeno-almoço da filha, ligou a televisão para que Lara visse desenhos animados enquanto comia.
O pai saiu depois para trabalhar e a menina seguiu para o autocarro escolar. Nesse momento, segundo Carlos, Eulália, a madrasta da criança, ainda estaria na cama. Pouco depois, porém, a mulher terá saído de casa e ido ao encontro da menina, apanhando-a à chegada da carrinha escolar, antes de entrar no estabelecimento de ensino.
“Não tem perdão”
O pai de Lara disse estar a viver uma dor “que ninguém pode tirar”. Sobre Eulália, sua companheira até ao crime, Carlos afirmou que a mulher “não tem perdão” e que “não tem qualquer desculpa ou justificação” para o que fez.
“Deixou de ser a minha companheira, é apenas uma desconhecida”, terá dito ao jornalista da SIC. Carlos encontrava-se à porta de casa, acompanhado pelo pai, avô de Lara, num momento descrito como de grande fragilidade emocional.
Desentendimento terá começado no domingo
O pai da criança confirmou ainda que o desentendimento com Eulália terá começado no domingo, depois de uma agressão sofrida por Lara às mãos do filho da companheira. O rapaz, de 12 anos, estará institucionalizado por comportamento violento. Carlos disse que interveio em defesa da filha, puxando o menor pelo braço e repreendendo-o. Eulália não terá aceitado a forma como o companheiro reagiu, e esse episódio é apontado como o início da discussão que terá antecedido o crime.
Corpo encontrado na serra da Padrela
Segundo a informação conhecida, Eulália terá planeado vingar-se do companheiro através da filha. Na quarta-feira, um dia depois de ter levado o filho de volta à instituição onde vive, terá retirado Lara do percurso escolar e levado a criança para a serra. O corpo da menina foi encontrado na madrugada de quinta-feira na serra da Padrela, em Vila Pouca de Aguiar, depois de o pai ter comunicado o desaparecimento à GNR. A criança foi encontrada num local ermo, depois de buscas conduzidas pelas autoridades.
Madrasta ouvida em tribunal
Eulália está acusada de homicídio qualificado e foi presente a primeiro interrogatório judicial. As medidas de coação aplicadas à arguida ainda não eram conhecidas no momento da informação divulgada. O caso tem causado forte comoção em Valpaços e no país, pela idade da vítima, pelo contexto familiar e pela forma como a criança terá sido retirada da rotina escolar antes de ser morta.
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