Com uma mochila, um saco de ferramentas e a urgência de quem viu casas a meter água, um publicitário de 34 anos deslocou-se do norte para a região de Leiria e começou a reparar telhados danificados “a preços acessíveis”, numa altura em que muitas famílias tentam proteger as habitações depois da passagem da depressão Kristin.
De acordo com o Expresso, Fausto Andrade saiu de São João da Madeira e chegou a Leiria no fim de semana, pronto para trabalhar no terreno, depois de ver os apelos e relatos de estragos nas redes sociais e em notícias sobre a tempestade.
Na zona mais afetada, a necessidade é imediata: quedas de árvores e estruturas, falhas de energia, danos em telhados e infiltrações que, em poucos dias, podem agravar-se e transformar uma reparação simples num problema caro.
Uma mochila, uma trotineta e “metade do preço”
Já no concelho da Marinha Grande, Fausto foi encontrado por famílias que procuravam ajuda rápida para repor telhas fora do sítio e travar a entrada de água, num contexto de elevada procura por materiais e mão de obra.
Segundo o próprio, a proposta passa por cobrar muito menos do que tem ouvido no terreno, “onde outros levam 600, eu cobro 120”, e fazer orçamentos ajustados ao que cada casa precisa no momento.
Num dos casos, um casal de 69 anos contou que o encontrou online e aceitou a ajuda por não ter condições para subir ao telhado e por estar com a água a entrar em casa, numa decisão tomada “pela urgência” e não pela familiaridade com quem fazia o trabalho.
Recuperar sem pôr a vida em risco
A história de solidariedade e improviso do publicitário cruza-se, porém, com um alerta sério: nos dias seguintes ao temporal, registaram-se mortes em quedas durante reparações em telhados danificados, em concelhos do distrito de Leiria.
As autoridades têm insistido na mesma ideia: telhados fragilizados, chuva, vento e falta de equipamento transformam um “arranjo rápido” numa operação de alto risco, sobretudo quando se trabalha sozinho ou sem proteção adequada.
Além das quedas, houve também alertas por intoxicação com monóxido de carbono associada ao uso de geradores, com registo de vítimas e hospitalizações na região.
Estado de calamidade prolongado e reconstrução no terreno
Com danos espalhados por vários distritos, o Governo prolongou o estado de calamidade até 8 de fevereiro e anunciou medidas de apoio à recuperação, num quadro em que milhares de operacionais e autarquias continuam mobilizados.
Ao mesmo tempo, e segundo o Expresso, persistiam cortes de eletricidade em zonas como Leiria, Santarém e Coimbra, condicionando o dia a dia e tornando as reparações ainda mais urgentes, sobretudo em casas com infiltrações e coberturas parcialmente destruídas.
No meio da pressão para “fechar a casa” o mais depressa possível, o caso de Fausto Andrade expõe duas realidades ao mesmo tempo: a onda de entreajuda que se forma após uma crise e a necessidade de garantir que a reconstrução não acrescenta novas vítimas a um balanço já pesado.
















