Sendo obrigatório o processo de renovação da carta de condução, este está no centro de uma nova polémica nacional e rodoviária. A obtenção de um atestado médico de forma totalmente online gerou um enorme alarme entre os médicos de todo o país. O aviso foca-se nos riscos severos associados à emissão de certificados clínicos através de ecrãs sem o devido escrutínio físico.
A facilidade de acesso à internet está a comprometer gravemente a capacidade de despiste de patologias e a segurança nas estradas. O alerta surge perante o aumento exponencial de documentos passados à distância, sem que exista qualquer contacto entre o profissional e o utente.
A informação é avançada pela Pplware, um portal nacional de notícias dedicado ao mundo da tecnologia e da atualidade. O meio de comunicação relata a crescente preocupação das entidades ligadas à saúde com a falta de rigor clínico nestes procedimentos virtuais.
A importância da triagem visual
A avaliação da aptidão física e mental para operar uma viatura exige uma análise rigorosa e detalhada da pessoa. Indica a mesma fonte que este escrutínio clínico dificilmente pode ser assegurado através de uma videochamada ou de um simples telefonema.
O exame presencial em consultório constitui a forma mais fiável de atestar as verdadeiras capacidades motoras e cognitivas do condutor. A visão, a audição e os reflexos neurológicos são componentes críticas que necessitam de testes físicos quase impossíveis de replicar remotamente.
O estado psicológico do paciente requer uma observação atenta da sua postura e do seu comportamento durante a consulta presencial. A emissão de documentos sem esta triagem completa permite que cidadãos sem as condições mínimas exigidas continuem a circular livremente.
O crescimento do modelo digital
A transição da sociedade para o meio digital acelerou a procura por soluções burocráticas mais rápidas e com menor esforço. Esta conveniência fez disparar a oferta de serviços virtuais dedicados exclusivamente à emissão destes certificados obrigatórios para revalidar o título.
O problema central da emissão remota reside na total ausência de ligação entre o profissional que assina o papel e o cidadão. Explica a referida fonte que o clínico responsável pela avaliação virtual depara-se frequentemente com uma grave falta de informação do paciente.
Limitações do diagnóstico ao longe
O diagnóstico de eventuais limitações físicas torna-se uma tarefa incerta sem a palpação ou a observação direta do indivíduo. As disfunções cognitivas ligeiras, que afetam diretamente a capacidade de reação ao volante, passam facilmente despercebidas numa breve interação através do computador.
Esta lacuna no processo de avaliação cria um vazio legal e clínico que coloca em risco todos os peões e automobilistas. A segurança rodoviária fica dependente de declarações de saúde preenchidas pelo próprio candidato à renovação do documento sem qualquer verificação independente.
Exceções aceitáveis à regra presencial
Apesar da posição rígida contra a banalização desta prática, as entidades admitem que o modelo digital tem a sua utilidade clínica. Existem cenários muito específicos onde a consulta não presencial para este fim legal pode ser considerada aceitável e isenta de riscos.
Um desses cenários ocorre quando o doente já é acompanhado de forma regular e contínua pelo profissional que emite o certificado. O acesso integral e atualizado ao processo clínico do paciente garante o conhecimento necessário para atestar a sua total capacidade motora.
Explica ainda a Pplware que a partilha prévia de todas as informações clínicas pode justificar a dispensa de uma deslocação ao consultório. Contudo, as associações de saúde sublinham que estas situações de emissão remota devem constituir uma rara exceção e nunca a regra principal.
















