Há mais de um mês que o desaparecimento de João Espada, um jovem de 20 anos de Peniche, continua sem explicação. O caso ganhou novos contornos depois de a família descobrir que o rapaz tinha deixado Portugal rumo ao Sudeste Asiático sem informar ninguém, mantendo durante dias a ilusão de que continuava em Lisboa.
De acordo com o Notícias ao Minuto, a mãe, Sara Figueiredo, falou pela última vez com o filho a 7 de maio. Desde então, não voltou a ter qualquer contacto direto, ficando apenas com dúvidas, pistas dispersas e uma sucessão de descobertas que mudaram completamente a perceção sobre a vida recente do jovem.
Viagem escondida da família
João tinha saído de Peniche em fevereiro para viver em Lisboa, alegadamente para trabalhar num restaurante na zona da Penha de França. Durante semanas, a família acreditou que a rotina se mantinha intacta.
Só mais tarde se percebeu que o emprego tinha durado apenas seis dias e que, apesar disso, continuava a sair de casa e a enviar mensagens à mãe como se estivesse a trabalhar. Refere a mesma fonte que essa encenação prolongou-se até ao final de abril.
Mensagem que mudou tudo
A descoberta de que João estava fora do país surgiu de forma inesperada. Sara recebeu uma mensagem de um número desconhecido a dizer que tinha conhecido o filho num bar em Banguecoque, na Tailândia.
A mesma pessoa sugeriu que, caso João não tivesse regressado a Portugal, fosse apresentada participação às autoridades. Depois disso, nunca mais respondeu. Foi nesse momento que a mãe percebeu que desconhecia por completo os últimos passos do filho.
Da Tailândia para o Vietname
Segundo referiu a mãe no programa Júlia, da SIC, João viajou para o Vietname precisamente no dia 7 de maio, data do último contacto com a família. Desde essa deslocação, o rasto perdeu-se. O Gabinete de Emergência Consular confirmou apenas que o jovem não estava hospitalizado nem detido na Tailândia.
Ao falar na SIC, Sara Figueiredo admitiu acreditar que o filho poderá ter sido influenciado por terceiros. “O João foi seduzido por qualquer coisa. Pelo dinheiro”, afirmou. A mãe sustenta essa convicção ao lembrar que o jovem não tinha capacidade financeira para suportar sozinho uma viagem daquela dimensão. “Só pode ter tido ajuda. O João nunca poderia ir para a Tailândia sozinho”, disse.
Sem respostas e com investigação em curso
A família contactou várias entidades, incluindo a PJ, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e autoridades estrangeiras, numa tentativa de encontrar respostas. A embaixada portuguesa na Tailândia não respondeu aos contactos feitos por Sara.
Entretanto, a PJ confirmou que João consta da lista oficial de desaparecidos. O Ministério dos Negócios Estrangeiros assegura que continuam as diligências.
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