A mudança para o horário de verão está prestes a acontecer em Portugal e é altura de preparar os relógios para o ajuste anual. Esta alteração, que ocorre duas vezes por ano, volta a levantar dúvidas entre muitos portugueses sobre quando acontece exatamente e o que deve ser feito.
Faltam poucos dias para a transição para o horário de verão, que implica adiantar os relógios uma hora. A alteração acontece no último fim de semana de março, na madrugada de domingo, 29 de março, por se tratar do último domingo do mês.
De acordo com o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), quem estiver em Portugal continental ou na Madeira deverá adiantar o relógio às 01:00, passando diretamente para as 02:00. Já na Região Autónoma dos Açores, a mudança ocorre à meia-noite, quando os relógios passam das 00:00 para a 01:00. Na prática, significa que nessa madrugada se perde uma hora de descanso, tornando o dia 29 de março ligeiramente mais curto.
Por que existe a mudança da hora
A prática de alterar a hora oficial ao longo do ano tem origens históricas que remontam ao século XVIII. A ideia foi inicialmente sugerida por Benjamin Franklin, em 1784, numa carta enviada ao Journal de Paris. O cientista defendia, com algum humor, que acordar mais cedo permitiria aproveitar melhor a luz natural e poupar velas.
No entanto, foi apenas durante a Primeira Guerra Mundial que vários países começaram a adotar oficialmente a mudança de hora com objetivos energéticos. Na altura, países como Alemanha e Reino Unido decidiram implementar esta medida para reduzir o consumo de carvão. Portugal seguiu esse caminho em 1916, introduzindo também a alteração sazonal da hora.
Décadas mais tarde, a crise petrolífera de 1973 voltou a colocar o tema em destaque, levando vários países a sistematizar esta prática como forma de reduzir o consumo de energia.
Objetivo da mudança horária
O princípio por detrás da alteração da hora é relativamente simples: ajustar o horário oficial para que esteja mais alinhado com os períodos de luz natural durante o dia. Com o horário de verão, pretende-se aproveitar melhor a luz natural ao final da tarde e início da noite, reduzindo a necessidade de iluminação artificial, de acordo com a fonte anteriormente citada.
Já o regresso ao horário de inverno permite que o nascer do sol aconteça mais cedo durante a manhã, aproximando a atividade humana do ciclo natural de luz e escuridão. Por esse motivo, a mudança para o horário de verão acontece sempre no último fim de semana de março, enquanto a passagem para o horário de inverno ocorre no último fim de semana de outubro.
Debate sobre manter ou não a mudança de hora
Apesar de ser uma prática consolidada há décadas, a mudança de hora continua a gerar debate entre especialistas. Em 2021, a Associação Portuguesa do Sono (APS) explicou que diversos estudos apontam vantagens na eliminação da mudança horária e na adoção permanente do horário de inverno.
De acordo com a APS, a mudança para o horário de verão pode provocar vários efeitos negativos a curto prazo, como redução da duração do sono, diminuição do desempenho profissional e escolar e aumento do risco de acidentes cardiovasculares, cerebrovasculares e rodoviários.
Por essa razão, a mesma associação defende que a adoção permanente do horário de inverno poderia trazer várias vantagens, incluindo mais luz natural de manhã, melhor alinhamento com o ciclo natural de sono e vigília, melhoria da saúde mental e potencial redução do risco de várias doenças.
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