Uma ocorrência registada na Praia de Monte Clérigo, no concelho de Aljezur, levou à intervenção da Polícia Marítima depois de um homem ter sido confrontado por banhistas, por suspeitas de que estaria a fotografar mulheres e crianças. Apesar de terem sido adotadas medidas para preservar os elementos relacionados com o caso, o telemóvel permaneceu na posse do suspeito.
O episódio aconteceu na tarde de sábado e ganhou visibilidade após a divulgação de um vídeo nas redes sociais. Nas imagens, são visíveis várias fotografias de mulheres e crianças alegadamente guardadas no equipamento do homem. Segundo informação prestada pela Autoridade Marítima Nacional ao Jornal de Notícias (JN), todas as pessoas envolvidas foram identificadas e informadas dos respetivos direitos.
Polícia Marítima não considerou necessária a apreensão
A Autoridade Marítima Nacional confirmou ao JN que a Polícia Marítima elaborou um auto de notícia e enviou todo o expediente para o Ministério Público. Foram igualmente adotadas «medidas cautelares e de polícia» destinadas a preservar os meios de prova disponíveis.
A autoridade esclareceu, contudo, que «não foi determinada a necessidade da apreensão do telemóvel». Não foram divulgados mais pormenores sobre as medidas concretas tomadas para impedir a eliminação ou alteração das imagens alegadamente encontradas no dispositivo.
O equipamento ficou, assim, na posse do homem identificado pelos agentes. Caberá agora ao Ministério Público analisar os elementos enviados pela Polícia Marítima e decidir se existem diligências adicionais a realizar.
Banhistas confrontaram o suspeito no areal
A intervenção das autoridades ocorreu depois de vários banhistas terem abordado o homem na Praia de Monte Clérigo. O confronto terá surgido após suspeitas de que este estaria a captar imagens de mulheres e crianças sem autorização.
O vídeo partilhado nas redes sociais mostra algumas das fotografias que alegadamente se encontravam armazenadas no telemóvel. As imagens motivaram reações entre as pessoas presentes no local e acabaram por conduzir à chamada da Polícia Marítima.
Os agentes procederam à identificação dos envolvidos e recolheram os elementos necessários para elaborar o auto de notícia. A Autoridade Marítima Nacional adiantou, porém, que a queixa ainda não tinha sido formalizada.
Processo aguarda apresentação de queixa
De acordo com a informação transmitida ao JN, os factos observados podem ser suscetíveis de constituir um crime de natureza semipública. Este tipo de crime depende, em regra, da apresentação de queixa por parte da vítima ou do respetivo representante legal para que o procedimento criminal possa avançar.
A Autoridade Marítima Nacional explicou, por isso, que aguarda a eventual formalização de uma ou mais queixas. Até esse momento, o Ministério Público dispõe do auto de notícia e dos restantes elementos enviados pela Polícia Marítima.
A investigação ficará dependente da avaliação jurídica dos factos e da iniciativa das pessoas que possam ter sido fotografadas. Caso seja apresentada queixa, poderão ser determinadas novas diligências para apurar em que circunstâncias foram captadas as imagens e qual o conteúdo existente no telemóvel.
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