No universo do futebol de alta competição, onde a imagem e os sinais de riqueza exterior são moeda corrente, um detalhe no pulso do técnico principal do Sporting Clube de Portugal está a captar a atenção dos adeptos. Apesar de ter atingido o topo da carreira nacional e de auferir um vencimento compatível com a elite do desporto, o treinador recusa-se a ostentar marcas de luxo. A escolha recai sobre um relógio simples e barato que custa menos de duas dezenas de euros.
Rui Borges, o líder da equipa técnica leonina, continua a utilizar um relógio da marca Casio avaliado em 19,90 euros. A revelação sobre este acessório surgiu num contexto de balanço de carreira, onde o técnico explicou que o valor do objeto não reside no preço, mas sim no simbolismo que carrega.
A informação foi recolhida pelo Maisfutebol, portal desportivo nacional, durante a conferência de antevisão de uma partida europeia. O treinador foi questionado sobre o seu percurso ascendente e aproveitou para justificar a manutenção deste hábito que contrasta com o glamour da Liga dos Campeões.
A memória de onde tudo começou
Para Rui Borges, o relógio serve como uma âncora de realidade e uma ferramenta de memória constante. O técnico afirmou que se lembra perfeitamente do seu trajeto, da sua origem e do custo pessoal que foi necessário pagar para chegar ao patamar onde se encontra hoje.
Indica a mesma fonte que o treinador não vê sentido em adquirir relógios de 500 ou 1.000 euros apenas por ter mudado de estatuto profissional. O profissional sublinha que a sua essência se mantém inalterada, independentemente dos palcos mediáticos que pisa atualmente, “lembro-me do meu trajeto, de onde vim e do que me custou”, disse aos jornalistas.
Um contrato de peso
A humildade do técnico ganha ainda mais relevo quando contrastada com os números que envolveram a sua chegada a Lisboa. O Sporting pagou 4,1 milhões de euros ao Vitória de Guimarães para garantir os seus serviços até 2026, um investimento que reflete a confiança na sua capacidade, mas que não alterou a sua postura pessoal.
Segundo o jornal O JOGO e o Correio da Manhã, o técnico leonino aufere 1 milhão de euros anuais brutos, aos quais podem acrescer um bónus financeiro caso se sagre campeão, metendo o treinador no estatuto de milionário.
Explica ainda referida fonte, MaisFutebol, que o treinador se define como uma pessoa simples, honesta e direta. O relógio barato acaba por ser uma extensão dessa personalidade, funcionando como um lembrete diário para evitar que a humildade se transforme em vaidade disfarçada.
Uma ascensão meteórica desde o Mirandela
A conversa sobre o relógio serviu de ponte para recordar o passado recente do técnico em escalões inferiores. Há apenas sete anos, Rui Borges orientava o Mirandela e celebrava vitórias contra equipas como o Torcatense, muito longe dos holofotes e dos orçamentos milionários de Alvalade.
O adjunto Fernando chegou mesmo a mostrar-lhe fotografias dessa época durante uma viagem de avião, provocando risos e reflexão na equipa técnica. O treinador reconhece que tinha menos cabelos brancos e era mais magro, encarando a evolução física e profissional como parte natural dos desafios diários.
Gratidão pelo percurso na formação
A preparação para os grandes jogos europeus começou, na verdade, há muitos anos nos escalões de formação. O técnico valoriza a passagem por todas as etapas, desde os sub-6 aos sub-19, considerando essa experiência fundamental para a sua competência atual.
Explica ainda o Maisfutebol que Rui Borges faz questão de agradecer a todos os clubes e jogadores com quem trabalhou ao longo da subida a pulso. O treinador garante que continuará a ser sempre o mesmo “Rui de Mirandela”, fiel aos princípios e grato a quem o ajudou no caminho.
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