Cortes, dívidas e um plano de recuperação em tribunal: uma marca bem conhecida de artigos para o lar e decoração decidiu encerrar a operação em Espanha, onde opera oito lojas, numa medida que a empresa considera essencial para assegurar a viabilidade do negócio em Portugal. O Gato Preto apresentou um plano de recuperação em tribunal e diz que a sua implementação poderá salvaguardar uma parte significativa dos postos de trabalho.
A decisão é comunicada num momento em que a retalhista enfrenta uma forte pressão financeira e um processo negocial com credores, depois de ter recorrido ao Processo Especial de Revitalização (PER).
Em cima da mesa está uma reestruturação que envolve mais de 300 credores, entre trabalhadores, bancos e fornecedores, com dívida reclamada na ordem dos 50 milhões de euros, segundo informação já divulgada no âmbito do processo.
Fecho em Espanha para “concentrar recursos” da marca em Portugal
Ao ECO, a empresa enquadra a saída do mercado espanhol como uma forma de concentrar recursos e reduzir perdas operacionais, reforçando a capacidade de manter a marca ativa em Portugal.
O Gato Preto tinha, até aqui, 39 lojas no total: 31 em Portugal e oito em Espanha, números que têm sido referidos em peças anteriores sobre o PER e a estrutura do retalho da marca.
No plano, a empresa diz querer manter presença “em todo o território continental”, e aponta também uma aposta mais vincada no canal online, descrito como mais eficiente e alinhado com as exigências atuais do mercado.
Quebras no negócio e prejuízos em 2024
Os resultados recentes ajudam a explicar a urgência: a faturação terá caído para metade desde 2022, atingindo 21,3 milhões de euros em 2024, ano em que a empresa registou prejuízos de 14,9 milhões.
O recurso ao PER foi justificado pela empresa com “pressões económicas e financeiras” acumuladas nos últimos anos e a necessidade de rever profundamente o modelo de operação para estabilizar e revitalizar a atividade.
A marca assinala ainda que 2026 é um ano simbólico, ao completar 40 anos de atividade, o que reforça a leitura de que a estratégia passa por preservar o valor da insígnia e a continuidade em Portugal.
Credores, trabalhadores e o que pode acontecer a seguir
O plano apresentado ainda tem de ser aprovado pelos credores, e a empresa não detalha, para já, toda a engenharia financeira associada à reestruturação, apontando apenas que o PER representará uma vantagem face a um cenário de liquidação.
Sobre os trabalhadores, o Gato Preto afirma que pretende salvaguardar uma parte significativa dos postos de trabalho e garante a satisfação integral dos créditos de trabalhadores e ex-trabalhadores, em cumprimento da lei.
Para consumidores, a DECO tem vindo a lembrar que, mesmo durante um PER, os direitos mantêm-se, incluindo a obrigação de entrega do produto ou reembolso nos termos legais, recomendando atenção a prazos e documentação.
A partir daqui, e segundo o ECO, o desfecho depende da votação/adesão dos credores e da execução do plano no terreno, com o fecho das lojas em Espanha como uma das medidas-chave para aliviar a operação e concentrar a estratégia no mercado português.
















