A história da cidade remonta à época do Império Romano, quando os romanos descobriram o potencial das águas quentes que saíam naturalmente do solo. Acreditando nas suas propriedades curativas, fundaram a cidade de Aquae Flaviae, nome atribuído em homenagem ao imperador Tito Flávio Vespasiano, no ano de 79 d.C.
Localizada no norte de Portugal, perto da fronteira com Espanha, Chaves é uma cidade termal conhecida pelas suas águas quentes e pelo complexo das Termas de Chaves. Situada no distrito de Vila Real, na antiga província de Trás-os-Montes e Alto Douro, Chaves é composta por 39 freguesias e atrai visitantes não só pelas suas propriedades termais, mas também pela riqueza histórica e cultural.
O passado da cidade
Vestígios arqueológicos confirmam a ocupação humana da região desde o Paleolítico, mas foi com as legiões romanas que a cidade ganhou importância. Escreve o NCultura que estes construíram infraestruturas, como a Ponte de Trajano e estabeleceram termas medicinais, cujas ruínas foram descobertas por acaso durante obras da câmara municipal. Os especialistas consideram-nas as maiores termas romanas da Península Ibérica.
No terceiro século, a cidade enfrentou invasões de Suevos, Visigodos e Alanos, vindos do leste europeu, pondo fim ao domínio romano na região. Posteriormente, no século VIII, os mouros invadiram Chaves, vencendo Rodrigo, o último monarca visigodo. Estas disputas religiosas e militares levaram a população a refugiar-se nas montanhas.
Reconquista cristã e fortificações
A reconquista cristã da cidade começou no século IX, com o rei de Leão, D. Afonso, a recuperar parcialmente Chaves. Só no século XI, sob D. Afonso III de Leão, a cidade foi definitivamente resgatada e reconstruída, com muralhas que reforçavam a defesa fronteiriça do reino.
Em 1160, Chaves foi integrada no reino de Portugal, com a ajuda de Ruy e Garcia Lopes. Durante o reinado de D. Dinis, foram construídos o castelo e novas muralhas. O primeiro foral da cidade foi atribuído por D. Afonso III, em 1258, e confirmado mais tarde por D. Manuel I, em 1514. A elevação à categoria de cidade ocorreu em 1929.
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Ponte de Trajano: um símbolo romano
Entre as atrações mais emblemáticas está a Ponte de Trajano, construída entre os séculos I e II d.C. com 150 metros de comprimento sobre o rio Tâmega. Esta ponte apresenta doze arcos visíveis e inscrições que invocam imperadores romanos, como Trajano e Vespasiano.
O Castelo de Chaves, do qual restam a Torre de Menagem e parte da muralha, foi edificado por D. Dinis para reforçar a defesa da cidade. Hoje o espaço alberga o Museu Militar desde 1978, permitindo conhecer a evolução da fortaleza, que remonta a uma antiga edificação romana.
A Igreja Matriz de Santa Maria Maior
Outro marco importante é a Igreja Matriz de Chaves, construída no século XII e conhecida como Igreja de Santa Maria Maior. De traço renascentista no exterior, o templo conserva elementos do estilo românico na torre sineira e no pórtico.
A Igreja da Misericórdia, do século XVII, é outro destaque, com o seu teto de madeira pintado e altar decorado com talha dourada. Situada na Praça de Camões, esta zona alberga também o edifício dos Paços do Concelho e o Paço dos Duques de Bragança, que atualmente acolhe o Museu da Região Flaviense.
O Castelo de Monforte do Rio Livre
A poucos quilómetros da cidade encontra-se o Castelo de Monforte do Rio Livre, um antigo castro pré-histórico transformado em fortaleza medieval. Modernizado durante a Guerra da Restauração, conserva ainda estruturas defensivas adaptadas à artilharia.
Para quem visita Chaves, o Parque de Vidago é outra paragem obrigatória. Mesmo não sendo hóspede do Hotel Vidago Palace, é possível passear pelos seus jardins e apreciar a diversidade botânica até às 19h.
O ‘mistério’ perto de Chaves
Por fim, a curiosa Pedra Bolideira, na Serra do Brunheiro, a 18 quilómetros da cidade, é um dos enigmas naturais da região. Trata-se de um bloco de granito com várias toneladas que pode ser movido por qualquer pessoa.
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