Os sinais menos conhecidos de enfarte e AVC continuam a ser uma preocupação na área da saúde cardiovascular, sobretudo porque reconhecer cedo os sintomas pode fazer diferença no tempo de resposta e no acesso ao tratamento adequado. A identificação rápida dos sinais de alerta e o contacto imediato com o 112 são pontos reforçados por entidades como a Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), o SNS, o INEM e a Direção-Geral da Saúde (DGS).
Um estudo divulgado pela FPC, no âmbito do “Mês do Coração”, e citado pelo blog especializado em saúde Atlas da Saúde, revela que muitos portugueses ainda têm dificuldade em identificar sintomas menos típicos de enfarte agudo do miocárdio.
O trabalho “O Enfarte Agudo do Miocárdio e o AVC”, realizado pela GfK Metris em abril deste ano, ouviu 600 pessoas entre os 40 e os 54 anos, residentes em Portugal Continental.
Dor no peito é o sinal mais reconhecido
Segundo os dados divulgados, 76% dos inquiridos associam corretamente o enfarte à dor no peito com irradiação para o braço, pescoço, costas ou estômago. Já o desconforto súbito e persistente no peito é reconhecido por 47% dos participantes.
A maior lacuna surge nos sintomas menos evidentes. Apenas 21% dos inquiridos reconhece sinais como suores, falta de ar, ligeira dor de cabeça ou mal-estar geral, manifestações que podem surgir com maior frequência nas mulheres. O SNS também identifica suores, falta de ar, náuseas, vómitos e tonturas entre os sinais associados ao enfarte agudo do miocárdio.
Ligar 112 é a resposta mais conhecida
A grande maioria dos participantes, 96%, sabe que deve ligar para o 112 perante suspeita de enfarte. Ainda assim, há medidas imediatas menos conhecidas, como interromper a atividade, sentar-se e tentar reduzir o esforço enquanto se aguarda assistência médica.
O INEM recorda que o contacto com o 112 é a via preferencial perante sinais de enfarte, porque permite reduzir o tempo até à avaliação, ao diagnóstico, ao tratamento e ao transporte para a unidade hospitalar mais adequada. Entre os sinais de alerta, a entidade refere dor no peito súbita, com ou sem irradiação para o braço esquerdo, costas ou mandíbula, acompanhada de suores frios intensos, náuseas ou vómitos.
Hipertensão e colesterol são os riscos mais lembrados
O estudo mostra que 91% dos inquiridos identificam a hipertensão arterial e o colesterol elevado como fatores de risco para enfarte. O tabagismo é referido por 78% e a história familiar por 76%. Já a diabetes é reconhecida por apenas 45%, apesar de a FPC alertar que as doenças cardiovasculares, incluindo enfarte agudo do miocárdio, são mais frequentes em pessoas com diabetes, sobretudo na diabetes tipo 2.
Outro dado relevante está ligado à prevenção depois de um episódio cardiovascular. Apenas 14% sabe que quem já sofreu um enfarte ou outro evento vascular deve manter o colesterol LDL abaixo dos 55 mg/dL.
A própria FPC reforça que, para quem já teve um enfarte ou outro episódio vascular, manter o LDL abaixo desse valor é uma medida importante para reduzir o risco de novo evento.
Sinais de AVC são mais facilmente reconhecidos
No caso do AVC, os sinais mais conhecidos pelos inquiridos são a perda de força num braço ou numa perna, o desvio da boca e a dificuldade em falar. A DGS, na Norma da Via Verde do AVC no Adulto, indica precisamente dificuldade em falar, boca ao lado e falta de força num membro como sinais de alerta, recomendando contacto imediato com o 112.
Apesar deste maior reconhecimento, o estudo aponta que alguns fatores de risco para AVC continuam menos valorizados, como a fibrilação auricular e a apneia do sono. Em contrapartida, hipertensão arterial, tabagismo e antecedentes familiares surgem entre os fatores mais facilmente identificados pelos participantes.
Prevenção continua a ser essencial
A FPC sublinha que as doenças cérebro-cardiovasculares mantêm um peso relevante na mortalidade em Portugal. Segundo a instituição, 19% dos óbitos em homens entre os 40 e os 55 anos têm origem cérebro-cardiovascular. A mesma fonte alerta que cerca de 80% da mortalidade precoce por estas doenças, antes dos 70 anos, pode ser evitada através do controlo de fatores de risco modificáveis.
Entre as medidas de prevenção estão o controlo da tensão arterial e do colesterol, deixar de fumar, combater o sedentarismo, manter um peso saudável, adotar uma alimentação equilibrada e praticar exercício físico regularmente.
A FPC também defende que a prevenção do enfarte e do AVC deve assentar num estilo de vida saudável, incluindo dieta equilibrada, atividade física regular e ausência de tabagismo.















