O astrofísico Pedro Machado alertou esta quarta-feira para a necessidade de utilizar óculos certificados durante a observação do eclipse solar de 12 de agosto, advertindo que a exposição desprotegida pode provocar lesões oculares graves e irreparáveis.
O cientista, que desempenha também as funções de comissário nacional para o eclipse do Sol de 2026, esteve em Bragança, onde apresentou descobertas científicas e curiosidades relacionadas com o fenómeno e explicou os cuidados necessários durante a observação. Segundo advertiu, esta não deve ocorrer “em tempo contínuo”, isto é, “deve-se olhar durante alguns segundos e desviar o olhar”.
“Se olhar para o sol têm de olhar com os óculos sempre. Em qualquer sítio, no Algarve, no Alentejo, em Trás-os-Montes (…) e mesmo onde há o eclipse total é só quando fica de noite que podem tirar os óculos durante 26 segundos”, afirmou.
Pedro Machado explicou que os óculos devem possuir certificação adequada e deixar passar «somente uma parte em mil da luz solar», uma intensidade insuficiente para provocar danos nos olhos. Estes equipamentos podem ser adquiridos no Centro de Ciência Viva de Bragança e também em farmácias.
Equipamentos de observação exigem proteção adequada
Deixou ainda o alerta para o uso de câmaras fotográficas, binóculos e telescópios com proteção adequada para o efeito, para visualização direta. Caso contrário, além de danificar os aparelhos, também cria graves lesões na retina.
“Tem que se ter cuidado, ponto. Não há cuidados médios, há o não ter cuidado ou ter cuidado. Por favor toda a gente tenha cuidado”, afirmou.
O eclipse do sol acontece quando a Terra, a Lua e o Sol estão alinhados, e a Lua oculta totalmente ou parcialmente o disco solar por alguns momentos. Em Portugal, o último eclipse total aconteceu em 1912.
O astrofísico fala de um fenómeno “raro”, “fascinante” e “único nas nossas vidas”, que “vale a pena” assistir.
Totalidade será visível em duas aldeias de Bragança
Só nas aldeias de Rio de Onor e Guadramil, no concelho de Bragança, poderá ser visto na sua totalidade, ou seja, a Lua cobrir a 100% o Sol. Ainda assim, poderá ser observado parcialmente em todo o país e ilhas.
“Ser 99%, ser 99.9% ou 98% é quase igual. Há uma pequena diferença quando se fica de noite, que é só num ponto, mas aí há algumas contingências em relação a esse assunto, aí vê-se estrelas durante o dia, por fica de noite, é muito curto, são 26 segundos e eventualmente vai-se ver a coroa solar”, sublinhou.
Além da escuridão, são esperados ainda outros acontecimentos, como sombras, no formato do sol, e vento. “O vento do eclipse vai se ver no país todo, a projeção debaixo das abres, do disco solar, com o andamento do eclipse, vai se ver no país todo, até nos Açores e na Madeira”, acrescentou.
Em Portugal, o eclipse total só volta a acontecer daqui a mais de 100 anos. No entanto, já no próximo ano este fenómeno raro pode ser assistido no Sul de Espanha e na Tunísia.
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