Portugal poderá integrar o Conselho de Paz criado pelo presidente norte‑americano Donald Trump, mas apenas sob uma condição: que o âmbito da organização se restrinja ao conflito israelo‑palestiniano. Esta foi a posição assumida hoje pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, numa conferência sobre o futuro da segurança europeia.
Segundo o site especializado em atualidade e negócios, Executive Digest, Portugal tem uma condição clara para aderir ao Conselho de Paz proposto pela administração Trump e a limitar a sua ação ao conflito de Gaza.
O Conselho de Paz, oficialmente constituído na semana passada, surge como um organismo presidido por Trump com o objetivo declarado de implementar o plano de Washington para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza. Contudo, segundo o tratado fundador consultado por várias agências de notícias, a organização apresenta um mandato mais amplo, propondo‑se como alternativa às Nações Unidas e com possibilidade de atuação em outros conflitos internacionais.
Restrição geográfica como condição de adesão
“O ‘Board of Peace’ é perfeitamente enquadrável se se restringir a Gaza”, afirmou Paulo Rangel durante a conferência que decorreu na Fundação Gulbenkian, em Lisboa.
Segundo o ministro, Portugal e outros países, como o Brasil, defendem que a ação do Conselho se limite a este conflito específico. “Gostaríamos que se cingisse a isso”, sublinhou, reforçando que a posição tem o apoio de outros Estados interessados na iniciativa.
Custo elevado e comparação com a ONU
O Conselho de Paz enviou convites de adesão a vários países, incluindo Portugal, e cobra uma contribuição de mil milhões de dólares para assegurar um lugar permanente, valor que equivale a cerca de 854,3 milhões de euros.
A estrutura pretende ser uma alternativa ao modelo da ONU, organização que Trump tem criticado reiteradamente desde o seu mandato presidencial, destacando falhas na capacidade de resolver conflitos internacionais e manter a paz global.
Contexto internacional e dúvidas sobre o mandato
O anúncio da criação deste organismo surge num momento em que a situação em Gaza continua a ser motivo de atenção internacional, com tensões persistentes entre israelitas e palestinianos.
A iniciativa de Trump pretende, nas palavras dos seus proponentes, acelerar a resolução do conflito, mas a extensão do mandato para além de Gaza tem suscitado dúvidas sobre a viabilidade e aceitação do Conselho por outros Estados.
Garantias exigidas por Portugal
Paulo Rangel reiterou ainda que a participação de Portugal dependerá de garantias de que o Conselho não se envolverá noutros conflitos globais e que se cingirá ao conflito israel‑palestiniano.
Esta posição reflete uma abordagem cautelosa e alinhada com o princípio de limitar o envolvimento a áreas onde Portugal possa exercer influência efetiva.
Debate político e impactos da decisão
O debate sobre a adesão portuguesa ao Conselho de Paz está agora aberto, com o Governo a ponderar os impactos diplomáticos e financeiros da decisão.
De acordo com a Executive Digest, a eventual integração num organismo presidido pelo chefe de Estado americano, mas com alcance global, continua a gerar interesse entre diplomatas e analistas internacionais, dada a restrição que Portugal pretende impor e a possível sobreposição com a ONU, organismo que já congrega 193 Estados‑membros.
















