A decisão da Ryanair de cancelar todos os voos de e para as ilhas de São Miguel e Terceira, nos Açores, a partir do último domingo, 29 de março, está a gerar preocupação quanto ao impacto no turismo da região. A medida surge associada ao aumento das taxas aeroportuárias e poderá alterar de forma significativa o acesso ao arquipélago, sobretudo para passageiros vindos do estrangeiro.
De acordo com a Rádio Renascença, a saída da companhia aérea poderá retirar entre 200.000 e 250.000 passageiros por ano. Trata-se de uma quebra relevante num destino onde a conectividade aérea desempenha um papel central na captação de visitantes e no funcionamento da economia local.
Menos ligações, mais pressão
A redução de voos deverá ter efeitos imediatos na procura turística. Segundo a mesma fonte, a perda de ligações diretas limita o acesso a mercados internacionais que vinham a crescer, dificultando a continuidade dessa tendência.
“Estamos a falar de mercados novos que vão deixar de ter acesso à ilha é sempre um impacto negativo”, afirmou Miguel Quintas, presidente da Associação Nacional das Agências de Viagens, citado pela mesma fonte, sublinhando a importância dessas rotas para a diversificação da procura.
Efeito na economia local
A diminuição do número de turistas poderá gerar consequências em vários setores da economia regional. Conforme a mesma fonte, a hotelaria será uma das áreas mais afetadas, com menor taxa de ocupação ao longo do ano.
“Menos turistas, menos capacidade para encher os hotéis, até afetação direta na restauração, no artesanato, nas atividades culturais e toda a parte empresarial associada, neste caso emprego”, explicou o responsável, descrevendo um impacto que se estende a toda a cadeia económica ligada ao turismo.
Impacto nos preços
A redução da oferta aérea poderá também refletir-se no custo das viagens. Acrescenta a estação de rádio que a saída de uma companhia de baixo custo tende a diminuir a concorrência, o que pode levar a uma subida dos preços praticados pelas restantes operadoras.
“Do lado da oferta, vai seguramente haver um aumento de preços isto vai ter um impacto geral sobre a região”, indicou Miguel Quintas, segundo a mesma fonte, apontando para um efeito direto no bolso dos viajantes.
Ligações difíceis de substituir
Rotas, como Londres e Manchester, deverão estar entre as mais afetadas, refere a mesma fonte, uma vez que eram portas de entrada importantes para turistas internacionais. A perda destas ligações pode reduzir a visibilidade do destino nesses mercados. A substituição da capacidade da Ryanair poderá não ser imediata, criando um vazio na oferta que será difícil de colmatar no curto prazo, sobretudo tendo em conta a dimensão da operação da companhia na região.
Apesar do cenário traçado, existe a possibilidade de mitigação através da intervenção do governo regional. Segundo a mesma fonte, a SATA poderá ter um papel relevante no reforço da oferta aérea. “Que vai ser afetada eu não tenho dúvidas no curto prazo, posso imaginar aqui uma redução imediata de turistas na ilha e aumento de preços”, afirmou Miguel Quintas, citado pela mesma fonte, admitindo, no entanto, incerteza quanto à evolução da situação.
Um contexto europeu diferente
A decisão da companhia aérea surge num momento em que vários países da União Europeia estão a reduzir ou eliminar taxas aeroportuárias para estimular o tráfego aéreo. Conforme a mesma fonte, essa estratégia contrasta com a adotada nos Açores.
Essa diferença poderá afetar a competitividade do destino face a outras regiões europeias, num contexto em que a acessibilidade aérea continua a ser determinante para atrair turistas e manter o crescimento do setor.
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