Em Portugal, é nos recantos mais inesperados que se descobrem ‘tesouros’ de beleza única. Desde um baloiço escondido, de acesso livre e vistas impressionantes, até uma praia de água cristalina que revela uma riqueza geológica considerada por muitos como extraordinária. A proximidade com a natureza é evidente neste local, com a vegetação típica das giesteiras-das-serras e giestas brancas a emoldurar uma paisagem natural digna de visita, realçada pelas piscinas naturais e pequenas cascatas que serpenteiam pelos vales.
Um cenário esculpido ao longo do tempo
A praia fluvial de Loriga, em Seia, não é apenas considerada uma das mais belas do país, tal como referenciado pelo blog Visit Seia. É também um lugar com uma história geológica singular. Situada a 800 metros de altitude, no coração da Serra da Estrela, é a única praia fluvial em território nacional situada num antigo vale glaciário.
Aqui, os vestígios da última glaciação continuam visíveis, com blocos erráticos e formas moldadas pelo gelo a pontuar toda a paisagem envolvente.
A água que abastece esta praia nasce na serra e percorre a ribeira de Loriga até formar pequenas lagoas naturais. A sua pureza e frescura resultam diretamente da altitude e da ausência de poluição, tornando-a especialmente convidativa nos meses de verão.
Infraestruturas pensadas para todos
Apesar do enquadramento natural praticamente intacto, a praia fluvial de Loriga dispõe de várias infraestruturas que tornam a visita mais cómoda. De acordo com a mesma fonte, existe um bar de apoio para refeições ligeiras, mesas de piquenique sob as árvores e até um parque infantil, que pode ser um cenário ideal para famílias com crianças.
A zona balnear é vigiada durante a época alta e o acesso à água é facilitado por escadas e plataformas de madeira.
Nos últimos anos, a autarquia tem apostado na preservação do espaço e na promoção do turismo sustentável. Isso inclui a manutenção da qualidade da água, a proteção da vegetação nativa e a limitação da construção na zona envolvente.
Reconhecimentos que não passam despercebidos
A beleza natural, aliada à boa gestão ambiental, já lhe valeu diversas distinções. Em 2012, foi finalista das 7 Maravilhas – Praias de Portugal, na categoria de praia fluvial.
Mais recentemente, recebeu o galardão “Praia com Qualidade de Ouro” da Quercus, em 2022, e, em 2023, foi distinguida com a Bandeira Azul, símbolo de excelência ambiental, segurança e acessibilidade.
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Um património que vai ‘além da água‘
Esta praia fluvial situa-se na vila de Loriga, que é também um local de interesse. Os socalcos construídos ao longo de séculos demonstram a engenhosidade das populações serranas, que transformaram um vale pedregoso num terreno fértil.
A complexa rede de irrigação, ainda hoje ativa, é um testemunho vivo da relação entre o homem e a montanha, refere a mesma fonte.
Nas ruas da vila, é possível ver arquitetura tradicional em granito, igrejas centenárias e pequenas lojas de produtos regionais, como o queijo da Serra e os enchidos artesanais.
Trilhos, baloiços e miradouros
Para quem gosta de caminhar, existem vários trilhos sinalizados que partem da vila ou da zona da praia e permitem explorar o vale glaciário e os seus pontos mais elevados. Um dos locais mais procurados é, segundo a mesma fonte, o chamado “baloiço panorâmico”, colocado estrategicamente num miradouro natural que oferece vistas amplas sobre a serra, os vales verdes e a própria ribeira de Loriga.
A paisagem transforma-se ao longo do ano. No verão, o verde predomina. No outono, surgem os tons dourados. No inverno, não é raro ver a serra coberta de neve, o que dá ao local uma beleza completamente distinta, mesmo sem a vertente balnear, refere a fonte acima citada.
Um refúgio para todas as idades
A praia fluvial de Loriga é um exemplo raro de equilíbrio entre natureza e intervenção humana. É um local onde se pode mergulhar em águas puras, caminhar entre vestígios glaciares, descansar à sombra de árvores centenárias ou simplesmente contemplar a montanha.
Seja para um piquenique em família, um banho revigorante ou uma caminhada mais exigente, Loriga oferece uma experiência completa a quem a visita, refere o Visit Seia.
Saiba ainda, a título de curiosidade, que a ribeira de Loriga nasce a cerca de 1800 metros de altitude, na Torre, o ponto mais alto de Portugal Continental.
















