A criadora de conteúdos e empresária brasileira tinha 25 anos quando descobriu que tinha perdido cerca de 70% da visão do olho direito. Carolina Martins decidiu agora partilhar o episódio nas redes sociais, deixando um alerta sobre um gesto aparentemente inofensivo que fazia com frequência: esfregar os olhos.
“Eu perdi 70% da visão fazendo algo que você faz todos os dias”, escreveu numa publicação partilhada na sua conta de Instagram, @carolmartinsf_. Carolina, fundadora da Elevarum e uma das criadoras com maior presença no LinkedIn na América Latina, explicou que o diagnóstico surgiu em 2019, apesar de fazer consultas regulares de oftalmologia e de, até então, ter apenas um grau reduzido de astigmatismo.
Tudo começou com um hábito associado às crises de rinite
Carolina sofre de rinite e conta que, durante as crises, era frequente sentir uma comichão intensa nos olhos. A resposta era quase automática: esfregava-os para aliviar o desconforto, sem imaginar que esse comportamento poderia estar associado a problemas na córnea.
Foi durante o acompanhamento oftalmológico que recebeu o diagnóstico de ceratocone, uma doença em que a córnea se torna progressivamente mais fina e altera a sua forma. Em vez de manter a curvatura habitual, pode adquirir uma configuração mais irregular, o que prejudica a forma como a luz entra no olho e pode provocar uma deterioração significativa da visão.
No seu relato, Carolina associa a progressão da doença ao hábito de esfregar os olhos repetidamente e com força. A fricção ocular é reconhecida como um dos fatores associados ao desenvolvimento ou agravamento do ceratocone, sobretudo em pessoas com alergias que sentem comichão ocular frequente. Isso não significa, contudo, que esfregar os olhos seja a única causa da doença, que pode também envolver outros fatores, incluindo uma componente genética.
Não sentia dor nem tinha sinais que considerasse alarmantes
Um dos aspetos que Carolina mais destaca é precisamente a ausência de um sinal evidente que a levasse a suspeitar de um problema sério. Não sentia dor e continuava a fazer a sua vida normalmente.
Entre os sintomas que podem surgir com o ceratocone estão a visão desfocada ou distorcida, maior dificuldade em ver durante a noite, sensibilidade à luz e alterações frequentes na graduação dos óculos ou das lentes de contacto. Nas fases iniciais, estas mudanças podem ser confundidas com problemas de visão mais comuns.
No caso de Carolina, a perda de visão no olho direito já era considerável quando a doença foi identificada. Foi esse diagnóstico que a levou a perceber que um comportamento repetido durante anos, sobretudo nos períodos em que as alergias provocavam maior comichão, merecia mais atenção.
Esfregar os olhos pode agravar o ceratocone
O ceratocone não tem a mesma evolução em todas as pessoas. Em alguns casos progride lentamente, enquanto noutros a deterioração da córnea pode ser mais acentuada.
Quando a doença é identificada numa fase inicial, existem atualmente tratamentos destinados a travar ou abrandar a sua progressão. A escolha depende do grau de evolução e das características de cada doente. Em fases mais avançadas, podem ser necessárias soluções específicas para melhorar a visão e, nos casos mais graves, pode chegar a ser considerado um transplante de córnea.
É também por isso que pessoas que sentem comichão ocular frequente, sobretudo quando associada a alergias, devem evitar esfregar os olhos com força e procurar perceber a origem do desconforto quando este é persistente.
Transformou a experiência num alerta para quem a segue
Carolina Martins é fundadora da Elevarum, uma agência especializada em branding, posicionamento e construção de autoridade no LinkedIn para executivos e fundadores de empresas. Tornou-se conhecida sobretudo pelos conteúdos relacionados com carreira, liderança e comunicação profissional, apresentando-se atualmente como “a mulher mais seguida do LinkedIn na América Latina”.
Nos últimos tempos, porém, tem utilizado também as redes sociais para falar de episódios pessoais. Foi nesse contexto que decidiu recuperar a história do diagnóstico e da perda de visão, vários anos depois de ter descoberto a doença.
A mensagem que deixou aos seguidores parte de uma experiência pessoal, mas chama a atenção para um gesto que muitas pessoas fazem quase sem pensar. Esfregar os olhos ocasionalmente não significa que alguém vá desenvolver ceratocone, mas fazê-lo repetidamente e com força é um comportamento associado à doença e que merece especial atenção em quem sofre de alergias ou já apresenta alterações na córnea.
Para Carolina, a descoberta aos 25 anos acabou por mudar um hábito que fazia diariamente. Agora, procura usar a experiência para alertar outras pessoas para sintomas que podem passar despercebidos e para a importância de manter acompanhamento oftalmológico quando surgem alterações persistentes da visão.
Leia também: Vai viajar de avião? Este acessório não ocupa espaço na mala e pode tornar o voo muito mais confortável















