O panorama audiovisual nacional prepara-se para uma transformação profunda que promete apagar do ecrã símbolos históricos com várias décadas de existência. O canal de televisão mais antigo de Portugal vai mudar a sua identidade visual e estratégica de uma forma que apanhou muitos de surpresa. O problema é que a revolução planeada nos gabinetes de administração chocou de frente com quem faz o dia a dia da empresa e os trabalhadores não gostaram das alterações exigidas.
O alvo de toda esta contestação interna é a Rádio e Televisão de Portugal, a histórica estação pública que emite para todo o território nacional. A informação sobre esta profunda reestruturação corporativa é avançada pelo jornal Expresso, que explica que a administração do grupo anunciou o desaparecimento do antigo símbolo institucional para colocar o nome da empresa como o pilar central de toda a identidade visual.
Indica a mesma fonte que o objetivo primordial passa por unificar todas as frentes de atuação do operador público debaixo de uma única marca forte. A televisão, as estações emissoras de som e todas as plataformas digitais passam a estar organizadas numa hierarquia de submarcas dependentes da casa mãe. Esta uniformização visual entrou em vigor de forma oficial a partir da manhã desta segunda-feira.
O novo batismo da emissão internacional e as cores
A mudança de estratégia dita o fim da designação tradicional da emissão internacional que acompanhava a diáspora lusitana há longos anos. O canal focado nas comunidades emigrantes além fronteiras passa agora a adotar a palavra Mundo no seu batismo oficial. Cada serviço televisivo terá uma cor própria atribuída, mantendo-se na maioria dos casos as paletas visuais já conhecidas dos telespectadores.
A grande exceção a esta continuidade cromática acontece no canal 2 do operador estatal português com propósitos mais culturais. Esta frequência específica despede-se do tom amarelo que a caracterizava nos últimos tempos para regressar ao laranja como cor principal. Esta escolha estética pretende recuperar a herança histórica da emissora perante o seu público mais fiel e exigente.
O impacto controverso nas emissões de som
Explica a referida fonte que a revolução gráfica e de nomenclatura atinge com especial impacto o setor sonoro da empresa pública de comunicação. Todas as estações emissoras passam a ser obrigadas a integrar o acrónimo do grupo antes da sua designação habitual. As frequências 1, 2 e 3 perdem a sua autonomia nominal para surgirem sempre associadas à marca centralizadora da corporação.
A liderança da empresa defende que esta imposição de nomes serve o propósito vital de reforçar a força comercial de toda a organização no mercado. A agregação de todas as plataformas debaixo do mesmo chapéu tenta criar uma sinergia de audiências numa época de forte concorrência privada. O conselho de administração acredita que a uniformização ajuda a clarificar a oferta perante os cidadãos que financiam o serviço público.
A revolta da redação contra a administração
A decisão unilateral da administração caiu como uma bomba nos corredores da empresa e gerou uma onda imediata de críticas internas muito contundentes. O conselho de redação responsável pelo setor rádio publicou um comunicado duro onde classifica a medida como um ataque direto à identidade das estações. Os jornalistas sentem que o peso histórico construído ao longo de décadas foi apagado com uma simples decisão de gabinete.
Os profissionais da informação não poupam nas palavras e apontam o dedo aos próprios diretores que tutelam o trabalho diário dos repórteres e dos locutores. A estrutura representativa acusa a direção de informação de ter mantido uma postura passiva e de não ter impedido a perda das marcas históricas. O sentimento de desilusão alastrou-se rapidamente entre as equipas que asseguram as emissões em direto durante as 24 horas do dia.
A convocação de protestos e o silêncio da direção
A insatisfação generalizada culminou na convocação de um protesto formal marcado para a manhã de hoje à porta das instalações principais da empresa de comunicação. Os profissionais agendaram a concentração para as 11 horas com o objetivo de demonstrarem a sua união contra a reestruturação imposta pela gestão de topo. A manifestação pretende alertar a opinião pública para a descaracterização de um serviço com um legado incalculável no país.
Explica ainda o Expresso que as tentativas de obter esclarecimentos adicionais junto das chefias visadas esbarraram num silêncio institucional absoluto. A principal agência de notícias portuguesa contactou formalmente a direção de informação visada para confrontar os responsáveis com as acusações dos trabalhadores. A referida chefia declinou o convite para prestar qualquer tipo de comentário sobre o clima de tensão que se instalou nas redações.
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