As burlas através de aplicações de mensagens continuam a explorar sobretudo a urgência, a confiança e a distração das vítimas. O Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) alerta especificamente para mensagens fraudulentas em plataformas como o WhatsApp, incluindo o conhecido esquema “Olá, pai… Olá, mãe”.
Neste esquema, o burlão faz-se passar por um filho ou outro familiar, diz estar a utilizar um número novo e acaba por pedir dinheiro para resolver uma suposta emergência.
Mensagem de um “filho” com número novo? Confirme primeiro
Segundo as recomendações do CNCS, perante um contacto inesperado deste género, o mais importante é não agir imediatamente.
Se alguém disser ser um familiar e pedir dinheiro, deve confirmar a identidade através de outro canal, por exemplo ligando para o número que já tinha guardado anteriormente.
A pressão para agir rapidamente é precisamente um dos sinais de alerta. O Banco de Portugal recorda que os contactos fraudulentos recorrem frequentemente a um tom de urgência para levar a vítima a divulgar dados ou realizar operações sem ter tempo para verificar a situação.
Nunca entregue códigos ou dados bancários
Outro esquema procura obter códigos de autenticação ou informações que permitam assumir o controlo de contas e serviços.
O Banco de Portugal recomenda que não sejam fornecidos através de mensagens ou chamadas palavras-passe, dados de acesso ao homebanking, códigos confidenciais, IBAN ou outros elementos sensíveis.
Também deve evitar clicar em ligações recebidas de remetentes desconhecidos ou introduzir informação pessoal em páginas cuja autenticidade não esteja confirmada.
O banco lembra ainda que uma instituição bancária não solicita os dados de acesso ao homebanking ou à aplicação através de telefone, email ou SMS.
Falsos empregos, investimentos e vendas também são utilizados
As burlas não se limitam aos falsos familiares. A GNR alerta para esquemas através de compras e vendas online, pagamentos eletrónicos, falsas oportunidades de investimento e páginas que imitam empresas legítimas para obter dinheiro ou dados pessoais.
Entre os cuidados recomendados estão não partilhar dados pessoais ou bancários com desconhecidos, não tomar decisões financeiras sob pressão, utilizar apenas métodos de pagamento que conhece e verificar regularmente os movimentos da conta bancária.
As autoridades europeias de supervisão financeira alertaram ainda, em fevereiro de 2026, que o recurso a novas tecnologias, incluindo inteligência artificial, está a tornar algumas fraudes mais difíceis de identificar.
Foi vítima? Contacte imediatamente o banco
Se já fez uma transferência, introduziu dados bancários ou detetou movimentos que não reconhece, deve agir rapidamente.
A GNR aconselha a contactar imediatamente a instituição bancária e a participar a ocorrência às autoridades.
O Banco de Portugal dá uma indicação semelhante: perante operações não autorizadas, o cliente deve notificar o prestador de serviços de pagamento sem demora.
Também é aconselhável guardar mensagens, números de telefone, links, capturas de ecrã e comprovativos que possam ajudar na investigação.
É possível apresentar queixa online
Uma burla pode ser denunciada presencialmente junto da GNR, PSP, Polícia Judiciária ou Ministério Público.
Existe ainda o Sistema Queixa Eletrónica, do Ministério da Administração Interna, que permite apresentar online queixas relativas a determinados crimes, incluindo burla.
A regra mais simples perante uma mensagem suspeita continua a ser esta: não ceder à urgência, confirmar quem está realmente do outro lado e nunca enviar dinheiro ou dados confidenciais sem verificar primeiro a identidade do contacto.















